Testemunhas de defesa de Saddam cometeram perjúrio

O julgamento do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein sofreu uma nova reviravolta nesta segunda-feira quando um juiz descartou depoimentos de quatro testemunhas de defesa, que foram presas após serem interrogadas há duas semanas. O juiz leu confissões nas quais elas admitem terem cometido perjúrio. No tribunal desta segunda-feira, o juiz Raouf Abdel-Rahman leu confissões em quatro depoentes admitem que inventaram seus testemunhos. Dois deles disseram que foram intimidados por parentes de Saddam na Síria. Os outros afirmam que a defesa ofereceu residência no exterior e dinheiro para que eles testemunhassem. Saddam e sete outros membros de seu antigo regime são acusados de crimes contra a humanidade pelo massacre de 148 xiitas na cidade de Dujail, em represália por uma tentativa de assassinato contra o ex-ditador, em 1982. Caso sejam condenados, os réus serão executados por enforcamento. As quatro testemunhas deram o que a defesa qualificou como os depoimentos mais bombásticos. Três delas disseram que alguns dos xiitas dados como mortos durante o ataque ainda estavam vivos e vivendo em Dujail. A quarta acusou o promotor-chefe Jaafar al-Moussawi de tentar pagá-lo para testemunhar contra Saddam. Abdel-Rahman ordenou uma investigação sobre as alegações de que alguns dos 148 xiitas estariam vivos, mas determinou que todos os quatro fossem presos por perjúrio. Os quatro falaram anonimamente, como a maioria das testemunhas dos dois lados. O advogado de defesa, Najib al-Nuaimi, rejeitou as confissões. "Sabemos que todas estas testemunhas assinaram os papéis sem saber o que eles continham", argumenta.O chefe dos advogados de defesa, Khalil al-Dulaimi disse que as confissões são "falsas pois foram obtidas à força". As quatro testemunhas foram libertadas da prisão e não estão mais no Iraque. Duas delas, contatadas com a ajuda da equipe de defesa dizem que as confissões lidas na corte são "mentiras". "Eles nos bateram, nos pressionaram por meios assustadores", afirma um dos homens, falando sob condição de anonimato. A sessão desta segunda-feira ficou ainda mais tumultuada quando o meio-irmão e ex-chefe de inteligência de Saddam, Barzan Ibrahim, foi retirado do tribunal depois que discutiu com o juiz. A retirada de Ibrahim inflamou os protestos da defesa que alega que está sendo injustiçada no julgamento. O advogado de defesa americano, Curtis Doebbler, disse que a defesa está em "séria desvantagem", acusando a corte de ignorar seus pedidos, intimidar testemunhas e não conceder o mesmo tempo para que promotoria e defesa apresentem seus argumentos. A percepção de justiça no caso é um assunto crucial, já que o governo americano e iraquiano esperam que ao demonstrar justiça em relação à Saddam possam ajudar a amenizar as diferenças entre xiitas e sunitas, que se agravaram com a queda do regime.

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