Testemunhas relatam caos na fronteira do Afeganistão

Pessoas fugiam de suas casas e densas nuvens de fumaça cobriam a cidade afegã de Kandahar durante os ataques de aviões britânicos e norte-americanos, na noite passada. Assim diversas testemunhas afegãs descreveram os ataques ao chegarem, hoje, à fronteira com o Paquistão. Um homem disse que viu pelo menos 4 pessoas feridas. ?Eu estava no telhado de minha casa quando ouvi os aviões se aproximarem. A única coisa que vi depois foram as explosões e o pânico por toda parte?, disse Nematollah, que, como muitos afegãos, não usa sobrenome. ?A eletricidade foi cortada e as pessoas corriam elas ruas no escuro?, continuou Nematollah, que chegou à cidade de Chaman, na fronteira com o Paquistão, hoje de manhã. A cidade fica a 120 quilômetros de Kandahar. Outras testemunhas informaram que o aeroporto de Kandahar e a casa do mulá Mohammed Omar, líder do Taleban, foram os primeiros alvos dos ataques. ?Muitas pessoas fugiram da cidade quando os ataques começaram?, disse Malang Bacha, que chegou a Chaman com sua esposa e quatro filhos depois de três horas dirigindo uma picape cheia de refugiados. ?Foi muito difícil enxergar no escuro, mas vi quatro feridos?. Na fronteira, as lojas abriram normalmente. Muitas das pessoas que cruzaram a fronteira trabalham no Paquistão mas vivem em Kandahar. Noor Mohammed, de 20 anos, um enfermeiro no hospital de Kandahar, disse que viu de longe quando o aeroporto foi bombardeado. Mohammed, que afirmou morar a três quarteirões da casa do mulá Mohammed Omar, disse que sua família deixou a casa logo depois da explosão no aeroporto. Minutos depois, segundo ele, três mísseis atingiram a casa do mulá. O comércio de Kandahar abriu normalmente, ele disse, e além de algumas janelas quebradas havia poucos sinais de destruição. Mohammed disse que foi ao hospital Chinnaie Hospital, onde trabalha, mas não havia feridos no local. o Chinnaie é o único hospital civil de Kandahar, garantiu. Em Chaman, onde a influência do Taleban é muito forte, as pessoas comentam sobre uma possível greve geral. A estrada que atravessa a fronteira estava praticamente abandonada e cerca de 150 pessoas realizaram um protesto nas ruas do centro da cidade, atirando pedras nas lojas que estavam abertas. Não houve danos ou feridos. Pelo menos seis caminhões carregados de farinha esperavam que os guardas baixassem as correntes que marcam a fronteira às 7 horas (2 horas GMT) para entrar no Afeganistão. Caminhões com romãs e uvas, alguns esperando a noite toda pela abertura da fronteira, entraram em Chaman, considerada o paraíso dos contrabandistas onde se pode encontrar desde aparelhos de TV japoneses até cobertores e óleo de cozinha contrabandeados do Golfo. À tarde, manifestantes gritando ?Morte à América? fizeram uma passeata pela fronteira carregando cartazes do partido paquistanês Jamiat Ulema-e-Islam, alinhado ao Taleban. Leia o especial

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