Testes dão arma apreendida como "similar" à do franco-atirador

A prisão de um ex-sargento do Exército americano e veterano da guerra do Golfo, e de um adolescente que o acompanhava, parece ter encerrado o mistério do atirador que matou dez pessoas, feriu outras três e aterrorizou os habitantes da região metropolitana de Washington. Os policiais encontraram um rifle automático Bushmaster, calibre .223, um tripé e uma mira telescópica no carro em que viajavam os suspeitos. Teste de balística confirma que arma encontrada era similar à utilizada pelo franco-atirador de Washington, diz fonte.O rifle Bushmaster é o AR-15, ou a versão civil do M-16, uma arma que o suspeito John Allen Muhammad aprendeu a usar no período em que esteve nas forças armadas. John Allen Williams, de 41 anos, que adotou o sobrenome Muhammad no ano passado, depois de converter-se ao islamismo, e John Lee Malvo, de 17, não ofereceram resistência ao serem cercados pela polícia numa área de descanso à margem da rodovia 270, próximo à cidade de Frederick, em Maryland. O Pentágono informou que Williams/Muhammad não recebeu treinamento especial de atirador de elite do Exército, mas passou pelo teste de proficiência no manejo do M-16. Todas as vítimas do atirador foram atingidas por balas de calibre .223. "Somos positivos que esses são os caras", disse uma fonte oficial citada pela agência Associated Press. O presidente George W. Bush foi informado durante a reunião diária que tem com seus principais assessores, à 7h30 da manhã. No final da tarde, Williams/Muhammad e Malvo foram indiciados num tribunal federal em Baltimore: o primeiro por porte ilegal de arma, o segundo como testemunha material.O indiciamento de Williams/Muhammad pelos treze ataques ainda aguarda a conclusão oficial dos testes de balística com o rifle Bushmaster. "Estamos sendo bastante cautelosos", afirmou um funcionário do departamento de Justiça. "Mas estamos otimistas". Malvo, de origem jamaicana, não é enteado de Williams/Muhammad, como chegou a ser inicialmente anunciado, e não se sabe qual era a relação entre eles. A prisão da dupla ocorreu apenas horas depois de o FBI e a polícia do condado de Maryland, em Maryland, onde o atirador fez seis vítimas, terem dado a ordem de busca e captura contra ambos e o carro em que viajavam. Segundo fontes policiais, o caso começou a ser desvendado depois que Williams/Muhammad vangloriou-se de um assalto ocorrido no Alabama numa de suas comunicações com a polícia. Alguns outros indícios que ele havia passado, incluindo informações sobre uma conta bancária, levaram as autoridades abrir uma nova frente de investigação na cidade de Tacoma, estado de Washington, na costa oeste dos EUA. Autoridades federais e locais disseram que Williams/Muhammad e Malvo podem ter sido motivados por sentimentos antiamericanos, mas afastaram a hipótese de ele pertencer a uma célula terrorista ou ter ligações com a Al-Qaeda. Fontes disseram ao Seattle Times que Williams /Muhammad deixou o Exército em meados dos anos 90, depois de ter servido durante dez anos nos fortes Lewis e Ord, ambos na Califórnia. Sua especialidade era mecânica. "Ele era 100% um soldado", disse Randy Lyons, que conviveu com o suspeito nas Forças Armadas. Ele se converteu ao islamismo durante o tempo em que serviu nas Forças Armadas. No final dos anos noventa, trabalhou como segurança de Louis Farrakhan, o líder da Nação Islâmica, a principal organização muçulmana dos EUA, na "Marcha de Um Milhão de Homens", em Washington. Williams é pai de quatro filhos de dois casamentos. Ambos terminaram am divórcio. A confirmação de que ele é, de fato, o atirador trará um enorme alívio às cerca de três milhões de pessoas que vivem na região metropolitana da capital dos Estados Unidos. Seus ataques alteraram a rotina de várias atividades. Há três semanas, as escolas da região não fazem recreio ou atividades esportivas externas. No último fim de semana, todos os eventos esportivos programados para lugares abertos foram cancelados, por precaução.

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