Texas cancela execução por suspeitas de que acusado foi vítima de armação policial

Defesa afirma que Rodney Reed não matou uma jovem em 1996 e autor seria um policial, já condenado em outros casos 

O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2015 | 10h16

AUSTIN, EUA - O Tribunal de Apelações Criminais do Texas, nos Estados Unidos, suspendeu na segunda-feira a execução de Rodney Reed, condenado à morte pelo assassinato de uma mulher em 1996, após suspeitas de que houve uma armação policial. A execução estava prevista para o dia 5 de março.

Seis dos nove magistrados que integram o tribunal concordaram em dar mais tempo para a defesa de Reed, um afro-americano de 47 anos, apresentar novas provas que eventualmente possam comprovar a inocência dele.

O advogado de Reed, Bryce Benjet, se mostrou "extremamente aliviado" pela decisão judicial e confiante que exames de DNA "possam provar quem cometeu o crime".

Reed foi declarado culpado em 1998 pela morte de Stacey Stites, de 19 anos, ocorrida dois anos antes. O acusado teria violentado a menina, a estrangulado e abandonado o corpo em uma vala.

A condenação se baseou em resíduos de sêmen encontrados no corpo da jovem e nas perícias e depoimentos dos médicos legistas.

Reed, que no início negou que conhecia Stacey, confessou no julgamento que os dois mantinham uma relação secreta porque ela estava comprometida com um oficial do Departamento de Polícia de Giddins, com quem já vivia. Reed negou ter matado a jovem, mas o júri o considerou culpado.

Agora, todos os olhares estão voltados para o ex-companheiro de Stacey, Jimmy Fennell, um policial com histórico violento que foi expulso da corporação após ser condenado a dez anos de prisão por estuprar uma mulher, Connie Lear, que mantinha sob sua custódia em 2008.

De acordo com a sentença, Fennell e outros agentes intervieram em uma briga entre Connie e seu namorado. Os policiais levaram o homem, mas Fennell permaneceu no local e se aproveitou da situação para violentar a mulher e a ameaça-la de morte com uma pistola caso ela resolvesse denunciá-lo.

Apesar da ameaça, Connie prestou queixa contra o ex-policial, que foi condenado. A repercussão do caso fez com que outras mulheres denunciassem que também haviam sofrido abusos por parte do policial.

Violência. O advogado de Reed também apresentou um histórico violento da carreira policial de Fennell, com diversos episódios turvos que foram omitidos de forma deliberada durante o julgamento.

A defesa pretende demonstrar que Fennell matou Stacey na noite de 22 de abril em sua casa e, com a ajuda de um cúmplice - aparentemente outro policial -, transferiu o corpo e o abandonou em uma vala a 35 quilômetros do local do crime, onde foi encontrado na manhã seguinte.

De acordo com alguns indícios, Fennell sabia da relação entre Stacey e Reed porque uma vez o policial abordou o homem na rua e lhe disse que "pagaria por isso".

Não é só a defesa de Reed que acredita em sua inocência. Parte da família de Stacey também considera Fennell o culpado pelo assassinato. "Sei que foi ele", afirmou em recente entrevista Judy Mitchell, uma prima da jovem. /EFE

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