Thatcher, Putin e Gore questionam diplomacia de Bush

O presidente George W. Bush suscitou divergências entre os analistas quanto às suas habilidades como diplomata, em particular quanto à necessidade de moderação do seu tom de voz ao mencionar, nas discussões, a vasta potência militar dos Estados Unidos. Um trio de figuras bem diferentes - o presidente Vladimir Putin, da Rússia; o ex-rival democrata de Bush, Al Gore, e a ex-primeira ministra Margaret Thatcher, da Grã-Bretanha, lhe deram vários tipos de conselhos.Putin e Gore usaram frases comedidas para advertir Bush sobre os perigos de uma ação unilateral de Washington contra o Iraque ou outros governos hostis. Putin manifestou-se em entrevista concedida à imprensa, em Moscou, e Gore em discurso proferido em Nova York, para um grupo de estudiosos da política externa. Na ocasião ele indicou que o governo americano deveria demonstrar mais respeito por seus aliados na luta contra o terrorismo, ao dizer que da atitude de Washington se depreende que, "se for necessário, os EUA irão à luta com outros países e, se for possível, irão sozinhos."Tatcher adotou uma atitude positiva em relação a Bush. Ela disse, em artigo publicado em um jornal diário americano, que Saddam Husseim deve ser deposto do governo do Iraque. "As únicas perguntas importantes são "como?" e "quando? " e não se ele deve ser deposto ou não," escreveu Thatcher.É possível que o tom direto de Bush venha a causar problemas na sua viagem atual, que incluirá o Japão, China e Coréia do Sul, uma região onde as intenções são dadas a entender de modo indireto, e não explicitamente. ?A linguagem direta não é necessariamente o idioma da diplomacia em outros países," ressaltou Anthony Blinken, do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais. Várias capitais expressaram confusão sobre a frase na qual Bush descreveu o Iraque, Irã e Coréia do Norte como "o eixo do mal," afirmou Blinken. "As pessoas se perguntam: "O que isso quer dizer, na prática??"Para Condoleezza Rice, assessora de segurança nacional de Bush, o significado é claro: "Acho que o que o presidente faz... é falar com palavras claras e simples sobre a ameaça que todos nós enfrentamos", disse, em entrevista concedida à Associated Press, E acrescentou: "Suponho que algumas pessoas gostem de matizar as coisas um pouco mais. Porém julgo que estamos obtendo sucesso com o estilo atual do presidente, de modo que suspeito que isso não vai mudar."Nesse íterim, o presidente Putin, que também costuma falar sem rodeios, começou a ensaiar o uso dos matizes. "Embora os Estados Unidos não tenham base alguma para estender a guerra a Bagdá, disse Putin, na entrevista coletiva,"isso não quer dizer que a comunidade internacional não tenha problemas com o Iraque. Em outra entrevista, Putin declarou ao Wall Street Journal que a tarefa de entrentar o Iraque e outros governos incorrigíveis deveria caber às Nações Unidas, e não unicamente aos Estados Unidos.

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