Thatcher teme "ditadura" trabalhista

A ex-primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher advertiu nesta sexta-feira os britânicos de que uma vitória esmagadora do primeiro-ministro trabalhista Tony Blair nas eleições gerais do dia 7 pode instituir no país uma "ditadura eleita". Segundo as últimas pesquisas de opinião, o Partido Trabalhista deverá obter votação ainda mais expressiva do que a de 1997 - considerada o maior desempenho eleitoral da agremiação em 150 anos. O alerta de Thatcher, interpretado nos meios políticos britânicos como "reconhecimento indireto" de que o trabalhista Blair caminha para um novo período de cinco anos no poder, abriu mais uma fenda no Partido Conservador e põe em xeque o futuro de seu atual líder, William Hague. Os veteranos e influentes deputados Kenneth Clarke e Chris Patten, ambos favoráveis à União Européia, estão descontentes com Hague, que se teria equivocado na escolha do tema central da campanha.O líder tory direcionou seus ataques ao euro - moeda única européia - em detrimento de temas internos tidos como fundamentais. Jogando seu prestígio para reduzir a vantagem trabalhista, a Dama de Ferro (como Thatcher é chamada pelos britânicos) lançou duro ataque contra Blair em entrevista ao diário conservador e monarquista Daily Telegraph."Aplaudo um governo forte, mas não um governo soberbo, sustentado por cupinchas, cifras e culto da personalidade", atacou a ex-primeira-ministra que governou o país durante a década de 80 também com expressiva maioria parlamentar. Ela acusou Blair de "solapar o poder britânico na União Européia, permitindo a supressão de alguns vetos negociados" e de adotar posições para abolir a libra em favor do euro."Num momento em que o futuro de nosso país como nação independente está na balança, a situação (no caso de ampla vitória trabalhista) é de alto risco", afirmou Thatcher.

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