Dylan Martinez/ Reuters
Dylan Martinez/ Reuters

The Economist: Favores por votos no Reino Unido

Premiê britânica corre contra o tempo para tentar aprovar Brexit no Parlamento e evitar desastre maior para o país

The Economist, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2018 | 05h00

Os termos do Brexit foram finalmente aceitos. Em uma cúpula, no domingo, a primeira-ministra da Grã-Bretanha, Theresa May, e os líderes dos outros 27 membros da União Europeia anunciaram a aprovação tanto do acordo de saída como de uma declaração sobre a nova relação entre a UE e seu futuro “ex-membro”. Hora de abrir o champanhe – ou pelo menos o espumante inglês? Não é bem assim. 

Antes que o acordo possa entrar em vigor, ele deve ser aprovado por um grupo muito mais exigente: o Parlamento britânico. A votação foi marcada para o dia 11 e os números são complicados para a primeira-ministra. Os trabalhistas e outros partidos de oposição devem votar contra, conforme o esperado. O que torna as coisas realmente difíceis é que talvez de 70 a 80 dos parlamentares conservadores planejam se unir a eles, junto com os unionistas da Irlanda do Norte. Se eles forem em frente, o acordo não será aprovado. 

May está fazendo todo o possível para persuadi-los. Na semana passada, lançou uma ofensiva de relações públicas, dando entrevistas e respondendo a perguntas dos ouvintes de rádio sobre os termos do acordo. Organizações empresariais se manifestaram a favor, embora de maneira pouco entusiasmada. Os representantes dos partidos estão empregando todas as suas artes ocultas, distribuindo favores e ameaças aos deputados indecisos. Um indeciso defensor do Brexit, John Hayes, acaba de ser condecorado com um título nobiliárquico. Ele pode não ser o último dos “cavaleiros do Brexit”. 

O problema é que o acordo de May, inevitavelmente, é um compromisso, uma vez que o Brexit assumiu as características de uma religião fundamentalista. Os dissidentes de linha dura estão indignados com o fato de que a Grã-Bretanha fará parte de uma união aduaneira com a UE, até nova ordem, a fim de evitar a reintrodução de uma fronteira na Irlanda (eles têm pouco a dizer sobre o que teriam feito, de sua parte, em vez disso). Preferem sair sem acordo do que com o apresentado por May e esperam que, votando contra, possam alcançar tal resultado. O restante, entretanto, ainda espera que a coisa toda possa ser cancelada se o acordo de May for rejeitado. 

Embaraçosamente para May, os dois lados têm sua razão. É tarde demais para renegociar novos termos de saída da Grã-Bretanha, como os trabalhistas afirmam que fariam. Então, se o acordo não passar no Parlamento, a Grã-Bretanha pode acabar caindo no extremo de sair sem um acordo, ou então ter de realizar uma segunda votação para resolver a bagunça. Enquanto essas duas opções parecerem estar sobre a mesa, poucos deputados britânicos estão dispostos a aceitar o compromisso de May. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO 

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ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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