REUTERS/Frank Polich
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The Economist: No paraíso fiscal das Ilhas Cayman, iguanas são dor de cabeça

Governo paga US$ 6 por animal morto a caçadores e, ao mesmo tempo, tenta trazer de volta as iguanas azuis

O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2018 | 05h00

As Ilhas Cayman, território britânico, são um paraíso fiscal. Grand Cayman, a maior delas, tem mais empresas (106 mil) que habitantes (61 mil). Sua população de iguanas verdes, no entanto, supera de longe esses números.

Calcula-se que sejam 1,3 milhão, mais de 6 mil por quilômetro quadrado. Esses lagartões podem chegar a 1,5 metro de comprimento e transtornam a vida da ilha: defecam nos carros, destroem plantações e jardins, comem ovos de pássaros e provocam curtos-circuitos em transformadores de eletricidade. As tocas em que botam ovos danificam estradas e campos de golfe.

A praga chegou à ilha 25 anos atrás, sob a forma de bichinhos de estimação. No hábitat natural das iguanas verdes, as Américas do Sul e Central, cobras e aves de rapina comem seus ovos e filhotes. Na Grand Cayman, porém, esses répteis enfrentam poucas ameaças, além dos carros. Iguanas mortas em estradas são uma cena comum.

Preocupado com a superpopulação, o departamento do meio ambiente das Ilhas Cayman interveio. No dia 29 de outubro, começou uma caça às iguanas verdes. Centenas de caçadores autorizados ganham US$ 6 por animal morto. A previsão é de que cada caçador mate algumas centenas por mês (de modo “não cruel”, insiste o governo). Até meados de novembro, mais de 100 mil já haviam sido abatidas. A população deve diminuir significativamente, mesmo que o abate decline à medida que a caça fique mais difícil de ser encontrada. Ao mesmo tempo, o governo vem tentando trazer de volta as iguanas azuis, nativas, que foram quase extintas com a devastação de seu hábitat e a ação de predadores como ratazanas e gatos. 

Já as Iguanas verdes adultas defendem-se, com espinhos, garras e caudas que chicoteiam. As iguanas azuis botam de 1 a 20 ovos por ano, enquanto as verdes põem acima de 70. Em 2004, a população de azuis estava reduzida a cerca de uma dezena. Um programa de reprodução fez crescer a população e permitiu que mil exemplares fossem libertados em reservas naturais, onde há poucos predadores.

Por outro lado, as detestadas iguanas verdes podem acabar rendendo dinheiro. Também chamadas de “galinhas de árvore”, elas são consideradas uma iguaria em países nos quais são nativas. A Spinion, uma empresa da Grand Cayman, já exporta peixes-leão, outra espécie invasora. Ela planeja agora exportar carne de iguana para a América do Norte. A Grand Cayman, conhecida principalmente como paraíso fiscal, pode se tornar líder no fornecimento de “galinhas de árvore”. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ  

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