AFP PHOTO
AFP PHOTO

Theresa May assume nesta quarta chefia da Grã-Bretanha

União Europeia pressiona nova premiê a iniciar o mais breve possível saída do bloco; administrar efeitos do Brexit será grande desafio

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2016 | 20h08

Theresa May, líder do Partido Conservador, assume nesta quarta-feira o cargo de primeira-ministra do Reino Unido já sob pressão da União Europeia para que inicie, em setembro, as negociações para a retirada do país do bloco, cumprindo o resultado do referendo que deu a vitória ao “Brexit”. 

Nova pressão foi feita nesta terça-feira pelo presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, no dia em que o premiê David Cameron despediu-se de seu ministério, encerrando, na prática, seus seis anos e dois meses de governo.

Favorável à permanência do Reino Unido na UE durante a campanha do referendo, Theresa May garantiu em discurso na segunda-feira que cumprirá o desejo da população e retirará o país do bloco europeu.

A afirmação deu o sinal verde para que líderes europeus reiterassem a pressão para que seu governo acione o mais rápido possível o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que trata do desligamento de um país da comunidade europeia.

Cabe a Londres determinar quando vai solicitá-lo, mas Bruxelas deseja a abertura de negociações o mais rápido possível, de forma a abrir o caminho para uma série de reformas institucionais.

Em artigo publicado pelo jornal The Guardian, Schulz exortou May a agir o mais rápido possível. “Agora que o país tem total clareza sobre sua nova premiê, espero que o governo britânico notifique sua intenção de que o Reino Unido se retire da União Europeia depois do verão”, afirmou Schulz, referindo-se ao período entre agosto e setembro, auge e final do verão no Reino Unido. “As discussões devem começar sem rancor”, completou o alemão.

O Parlamento Europeu tem enorme peso nas decisões políticas que virão, pois tem poder de veto sobre qualquer novo acordo de livre comércio que possa ser firmado entre o Reino Unido e a UE. Segundo líderes do Partido Conservador, o objetivo do novo governo será negociar uma posição para o país no Espaço Econômico Europeu (EEE), mas ficando desobrigado de respeitar o Tratado de Schengen. Isto é, Londres quer a livre circulação de mercadorias, serviços e de capitais, mas não a livre circulação de pessoas. Esse objetivo é considerada inaceitável por líderes como o presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Cameron presidiu nesta terça-feira sua última reunião do Conselho de Ministros. Hoje, ele entrega o cargo a May depois de informar sua demissão à rainha Elizabeth II. A nova premiê terá como maior desafio administrar os efeitos do Brexit.

“Theresa May enfrentará uma questão premente: como um governo eleito deve reagir quando seu eleitorado vota caminhar para um penhasco econômico e político”, ironizou Gavin Barrett, professor de Direito Constitucional e Econômico da University College Dublin. Ele vê a situação com pessimismo. “Na melhor das hipóteses, o Reino Unido acabará como a Noruega, com acesso ao mercado comum, mas com a influência destruída.”

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.