EFE
EFE

Theresa May condiciona novo referendo sobre Brexit a aprovação de plano

Premiê britânica explicou em discurso um pacote de medidas com as quais espera ganhar o apoio para que a Câmara dos Comuns ratifique o acordo do Brexit, e cogitou segunda votação

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 13h05

O Parlamento britânico poderá votar sobre um novo plebiscito do Brexit se aprovar a proposta da primeira-ministra, Theresa May, para a saída do Reino Unido da União Europeia. May se comprometeu nesta terça-feira a entregar um novo texto para análise parlamentar nos próximos dias, para que o projeto seja votado no começo de junho. 

 

Como May ainda não apresentou a proposta, não ficou claro qual seria a pergunta do plebiscito, se ele anularia o primeiro ou se apenas ratificaria o acordo do Brexit aprovado no Parlamento. Analistas disseram que May pode estar deixando para os deputados a decisão de como formular um possível plebiscito e marcar a data no dia da votação do plano, em junho.

Entre as propostas está a união aduaneira entre Londres e UE. Os trabalhistas querem um elo permanente, mas os conservadores só aceitam que ele seja temporário – sob o argumento de que um alinhamento perene impediria o país de fechar acordos comerciais com parceiros fora da UE. 

O texto de May vai incluir concessões à oposição nos artigos que fixam a obrigação dos governos britânicos futuros de manter as leis trabalhistas e ambientais nacionais alinhadas às europeias. Também cita a realização de um segundo plebiscito para confirmar a decisão. 

O plebiscito do Brexit ocorreu em junho de 2016 e o divórcio foi aprovado por 52% dos votos. Três anos depois, um impasse sobre os termos da saída trava a política britânica. Desde o início do ano, May viu o acerto negociado com o bloco por mais de dois anos rejeitado três vezes pelo Parlamento e teve de pedir uma extensão do prazo para efetivar o Brexit.

“Reconheço a genuína e sincera força dos sentimentos de toda Casa nesta importante questão, mas há uma última chance de dar fim ao impasse do Brexit”, disse May. “Deveríamos implementar o resultado do plebiscito e não pedir para o povo britânico votar uma segunda vez. Mas vou incluir no acordo de retirada requerimento de votação sobre se deve ou não realizar um segundo plebiscito. Mas, para que isso aconteça, vocês precisam chegar a um entendimento e aprovar o acordo.”

Mas a estratégia para obter os votos necessários no Parlamento não parece ter funcionado. A oposição trabalhista, colegas conservadores e outros integrantes de sua coalizão adiantaram que não apoiarão o texto. “Este projeto é uma reedição do que já discutimos”, afirmou Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista. 

A nova proposta de May também enfureceu deputados conservadores pró-Brexit, por deixar em aberta a possibilidade de um segundo plebiscito e uma eventual união aduaneira. Entre as vozes mais críticas estão o ex-ministro do Brexit David Davis e o influente deputado Jacob Rees-Mogg. 

“A proposta é pior do que as anteriores e nos deixaria profundamente ligados à UE. É hora de sair do bloco nos termos da OMC (que regula as relações comerciais internacionais)”, escreveu Rees-Mogg no Twitter.

Já Nigel Dodds, líder do Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, disse que a nova proposta mantém as “falhas fundamentais” das anteriores e, por isso, acredita que o Brexit só será aprovado se for levado ao Parlamento por um outro premiê.

A principal reticência do DUP é com o mecanismo chamado de “backstop”, previsto no pacto para evitar controles alfandegários entre Irlanda do Norte e Irlanda, no que seria a única fronteira terrestre entre Reino Unido e UE após o Brexit. A reintrodução dos controles contraria o acordo de paz de 1998, que pôs fim a 30 anos de violência na Irlanda do Norte.

Na semana passada, o governo britânico anunciou que as eleições para o Parlamento Europeu no Reino Unido estão marcadas para o dia 23 de maio, caso o país não consiga deixar a União Europeia antes disso./ REUTERS e AP



 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.