AFP PHOTO / BEN STANSALL AND Leon NEAL
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Theresa May e Andrea Leadsom disputarão cargo de primeira-ministra britânica

Ministra do Interior e secretária de Meio Ambiente foram as mais votadas entre os deputados conservadores; cerca de 150 mil militantes do partido escolherão, em setembro, a sucessora de David Cameron

O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2016 | 17h33

LONDRES - O Reino Unido terá a partir de 9 de setembro uma primeira-ministra, depois que os deputados conservadores escolheram nesta quinta-feira, 7, Theresa May e Andrea Leadsom como finalistas das primárias para substituir David Cameron.  Será a segunda vez que o país será dirigido por uma mulher, depois do governo de Margaret Thatcher (1979-1990), a “Dama de Ferro”.

Depois de duas rodadas de votação dos deputados, que derrubaram dois dos cinco candidatos iniciais, agora caberá aos 150 mil militantes conservadores escolherem sua próxima líder e, consequentemente, a premiê do país.

Theresa May, ministra do Interior pró-União Europeia, ganhou o voto de 199 dos 329 deputados. Andrea, secretária do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, pró-Brexit, conquistou 84, enquanto o controverso ministro da Justiça, Michael Gove, com apenas 46 votos, ficou fora da corrida.

“Os resultados mostram que o Partido Conservador pode ser unificado. E será sob a minha liderança”, disse Theresa May. “Precisamos de uma liderança forte e comprovada para negociar o melhor acordo possível para a saída do Reino Unido da UE, unir nosso partido e fazer do Reino Unido um país amável para todos, não apenas para alguns”, acrescentou.

Damas de Ferro. Independente de quem vencer a votações do partido, Theresa May ou Andrea, se tornará a segunda mulher a chefiar o governo britânico depois da também conservadora Margaret Thatcher, e ambas reivindicam abertamente seu legado.

Andrea, que nos últimos dias precisou corrigir um currículo que a apresentava como uma especialista do mundo das finanças, declarou nesta quinta que Reino Unido pode ser “a maior nação do mundo” fora da União Europeia.

Além disso, ela minimizou o impacto do resultado do referendo, dizendo que “as previsões do desastre da libra não se cumpriram”, embora na quarta-feira a moeda tenha alcançado seu nível mais baixo em 31 anos (1 libra = 1.2798 dólares) e já tenha perdido 15% de seu valor desde o referendo. “Ninguém tem nada a temer em nossa decisão de sair da UE.”

Andrea tem 53 anos, é casada e tem três filhos, e era praticamente desconhecida antes da campanha do referendo de 23 de junho. Agora ela se destaca como a grande esperança dos apoiadores do Brexit.

Theresa May, por sua vez, desejava a permanência na UE, mas pouco se manifestou durante a campanha, por isso não terá dificuldades em construir pontes com o setor do paritod que apoiou o Brexit. Agora ela aparece como a candidata de consenso.

Aos 59 anos, é filha de um reverendo e é casada com o banqueiro Philip John May. Eles não têm filhos. 

Ela adotou uma postura linha dura contra a imigração dentro do governo Cameron, que ocupa desde 2010. A ministra iniciou na política em 1986, depois de estudar na Universidade de Oxford e trabalhar brevemente no Banco da Inglaterra.

Negociações. David Cameron anunciou sua renúncia em 24 de junho, após o triunfo do Brexit, que se tornará efetiva com a escolha de sua sucessora. A nova líder do país terá a responsabilidade de invocar o Artigo 50 do Tratado Europeu de Lisboa para começar a negociar a ruptura com a UE, processo que deve durar até dois anos.

Neste período, Londres e Bruxelas terão que chegar a acordos em uma grande quantidade de temas, desde as novas regras comerciais entre ambos até o destino dos milhões de britânicos na UE e dos milhões de europeus no Reino Unido.

O ministro das Relações Exteriores, Philip Hammond, assegurou que não é o momento de invocar o artigo europeu. “Fazer isso supõe acionar o cronômetro e não acredito que, neste momento, e por várias razões, estejamos em uma posição para iniciar negociações substantivas e imediatas”. / AFP, EFE e REUTERS

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