REUTERS/Darren Staples
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Theresa May ignora as próprias recomendações sobre o Brexit, diz jornal

Gravação de discurso feito pela premiê britânica antes da votação e divulgada nesta quarta pelo jornal 'The Guardian' mostra que ela teme as consequências econômicas que a saída da União Europeia ocasionará para os britânicos

O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2016 | 15h17

LONDRES - A gravação de um discurso da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, feito antes do referendo que decidiu pela saída do país da União Europeia (UE) e divulgada nesta quarta-feira, 26, pelo jornal "The Guardian" (ouça abaixo) mostra o quanto ela se opunha à ideia de deixar o mercado comum europeu e temia as consequências que a iniciativa pode causar aos britânicos.

May era secretária de Interior quando fez o discurso para funcionários do banco de investimento Goldman Sachs, em maio, poucos dias antes da votação histórica. "Acho que os argumentos econômicos são claro. Acredito que fazer parte de um bloco comercial com 500 milhões de pessoas é significante para nós", disse.

No discurso, ela também destacou o fato de que os britânicos serem membros da UE tornava o país mais seguro, já que eles têm acesso a recursos como mandados de prisão válidos em toda a Europa e compartilham informações entre as polícias e as agências de segurança de todo o bloco. "Definitivamente, algumas coisas que podemos fazer como membros da União Europeia na minha opinião nos deixam mais seguros."

Antes da votação, May fez parte da campanha contra a saída do bloco regional, mas foi criticada por seus colegas por não ter sido mais enfática na defesa de seus argumentos. Agora, é criticada por seus opositores por supostamente adotar um duplo padrão sobre o assunto.

"Esta gravação é uma prova incontestável de como Theresa May e outros membros do alto escalão do Partido Conservador têm falado uma coisa sobre o Brexit em ambientes reservados e outra coisa no conforto das salas do próprio partido", afirmou Andrew Gwynne, ministro sem pasta do gabinete paralelo - no Reino Unido, além do governo oficial há uma espécie de governo paralelo, liderado pela oposição, que tem a responsabilidade de criticar o governo. 

"Está claro que ela reconhece o quão desastroso seria se o Reino Unido perdesse acesso ao mercado único, certo? Estão por que ela não é honesta com o povo britânico e diz como ela pretende fazer para continuar tendo acesso a esse ponto", questionou Gwynne. / COM AP

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