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Theresa May, uma escolha equivocada para uma missão quase impossível

Premiê britânica, que foi contra o Brexit durante campanha do plebiscito de 2016, liderou por quase três anos os esforços para deixar a União Europeia

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2019 | 08h40
Atualizado 23 de julho de 2019 | 21h59

LONDRES - Theresa May, de 62 anos, que, à beira das lágrimas, anunciou no mês passado a sua renúncia, deixa o poder após fracassar em concretizar o Brexit, pelo qual não votou, mas que dominou o seu mandato. Com a voz embargada, May lamentou "profundamente" sua impotência em concluir o Brexit.

Ela chegou ao poder nas semanas caóticas após o referendo, cujo resultado levou à renúncia do conservador David Cameron, de quem ela foi ministra do Interior por seis anos. 

Apesar de ser eurocética, ela falara a favor da permanência na União Europeia (UE), teve pouco envolvimento na campanha pela saída e insistiu na necessidade de limitar a imigração. 

Apenas um ano depois de chegar a Downing Street, May convocou eleições legislativas para fortalecer sua posição, mas os resultados foram catastróficos. Ela acabou perdendo a maioria absoluta e passou a depender do apoio do pequeno partido unionista norte-irlandês DUP para poder governar.

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Desde então, os ataques dos eurocéticos e pró-europeus de seu próprio partido a atingiram várias vezes. Diversos ministros a abandonaram, descontentes com sua ideia de negociar um relacionamento próximo com a UE, incluindo dois ministros do Brexit, Dominic Raab e David Davis, além do então chefe da diplomacia Boris Johnson, que agora a substitui. 

Três anos depois de chegar ao poder, quando o país já deveria estar fora da UE desde 29 de março, May fracassou uma última vez em convencer o Parlamento sobre a futura relação com o bloco europeu.

Para Tim Bale, professor de ciências políticas da universidade Queen Mary de Londres, ela pecou "pela recusa do realismo", evitando uma "abordagem interpartidária", especialmente depois de seu fracasso nas eleições gerais de 2017.

'Uma mulher difícil'

Theresa Brasier - seu nome de solteira - nasceu em 1 de outubro de 1956 em Eastbourne, cidade costeira do sudeste do país.

Depois de estudar Geografia na Universidade de Oxford, onde conheceu seu marido, Philip, e trabalhar brevemente no Banco da Inglaterra, ela deu seus primeiros passos na política em 1986, ano em que foi eleita conselheira do distrito londrino de Merton, antes de se tornar deputada em 1997. 

May se descreveu como uma mulher "difícil", e seu atual ministro das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, alertou há alguns meses: "Não subestimem Theresa May".

Embora seus inimigos a tenham acusado de não ser ambiciosa, todos concordaram em considerá-la incansável. 

"Ela é muito diligente, trabalhadora, imersa em detalhes, é muito tecnocrata, muito dura e pode ser teimosa", disse o ex-democrata liberal Nick Clegg, vice-primeiro-ministro do governo de coalizão de Cameron. 

"Todas essas coisas são qualidades muito boas em um político do governo", reconheceu Clegg. "Mas nunca vi muita imaginação, flexibilidade, instinto ou visão." / AFP

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