FRED DUFOUR/AFP
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Thomas Piketty recusa Legião da Honra

Economista diz que o país precisa se preocupar com a restauração da economia ao invés de premiar 'quem é honrado'; chanceler Georgelin lamentou a recusa

Estadão Conteúdo

02 de janeiro de 2015 | 10h17

O economista francês e autor do best-seller "O Capital no Século 21", Thomas Piketty, recusou a condecoração da Ordem Nacional da Legião da Honra, afirmando que o governo deve se focar em restaurar a economia anêmica em vez de "decidir quem é honrado".

A recusa de Piketty a uma das maiores distinções do país foi anunciada por meio de uma curta declaração à agência de notícias AFP e contrasta com a declaração dada ontem pelo presidente François Hollande de que a influência dos acadêmicos eram a evidência do poder do país. O porta-voz do presidente não comentou a decisão de Piketty.

O grande chanceler da ordem francesa, o general Jean-Louis Georgelin, disse lamentar a recusa do economista à condecoração. "Ele teve sucesso em produzir algum barulho", afirmou à BFM TV.

Piketty ganhou notoriedade após ter seu livro sobre desigualdade e riqueza traduzido para o inglês e chegou ao topo da lista dos mais vendidos nos Estados Unidos, na categoria não ficção.

O economista defende uma revisão completa do sistema tributário da França e chegou a apoiar Hollande nas eleições de 2012, no qual derrotou o ex-presidente Nicolas Sarkozy. Desde então, Piketty tem criticado abertamente o governo Hollande.

O governo propôs que Piketty recebesse a condecoração em decreto publicado na quinta-feira. O documento lista 691 pessoas, incluindo o escritor Patrick Modiano e o economista Jean Tirole, que venceram, respectivamente, os prêmios Nobel de Literatura e Economia.

Criada em 1802 por Napoleão Bonaparte, a Legião da Honra é concedida três vezes ao ano a civis, e duas vezes ao ano a militares. Fonte: Dow Jones Newswires.

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