Tibetanos acreditam em muitas mortes nos protestos contr China

Tibetanos na tensa provínciachinesa de Sichuan, no sudoeste do país, afirmaram nasexta-feira que acreditam que a polícia matou várias pessoas emprotestos contra a China promovidos esta semana, contestandodados oficiais de que não houve vítimas fatais. A agência oficial chinesa de notícias Xinhua divulgoudurante a noite que a polícia atirou e feriu quatromanifestantes esta semana em uma região com forte presençatibetana, onde protestos sugiram depois de intensasmanifestações contra Pequim realizadas no Tibet há uma semana. A instabilidade social tem alarmado a China, sede dos JogosOlímpicos marcados para agosto, quando o país tentará semostrar ao mundo como nova potência mundial. Montanhistas chineses escolhidos para levar a tochaolímpica ao topo do monte Everest disseram que sua jornadamostrará unidade nacional contra o líder exilado do Tibet, oDalai Lama, a quem Pequim acusa de instigar as manifestações. "Vamos garantir o movimento tranquilo da tocha. Precisamosfortalecer a unidade étnica enquanto forças hostis têm tentadocriar uma divisão entre grupos étnicos", disse Yin Xunping,representante da equipe de montanhistas do Tibet, segundo aXinhua. As tensões continuam altas no Tibet, Sichuan e em outrasáreas vizinhas onde o governo chinês têm reforçado tropas. Kangding, uma cidade com forte presença tibetana emSichuan, está tomada de soldados, alguns em patrulha, algunspraticando movimentos de artes marciais na praça da cidade. Dando o tom da tensão na região, motoristas recusam-se afazer viagens para as áreas montanhosas. "Eu estou nessa para ganhar dinheiro, mas não importa oquanto você me pague, eu não vou naquela direção", disse ummotorista. Enquanto isso, tropas e polícia de choque têm montadobloqueios nas estradas e estão impedindo a entrada deestrangeiros nas regiões próximas. "Com todas as tropas que foram para lá, a situação está sobcontrole agora. Eles tentaram por todos esses anos ganharindependência e não conseguiram. Então não vai acontecer. Nãoagora, é impossível", disse Ran Hongkui, lojista chinês que temum estabelecimento no caminho de comboios armados de policiaisque vão para o oeste. O Dalai Lama, 72, que fugiu do Tibet em 1959, afirma que écontra a violência e somente quer maior autonomia para suapátria e que tem desejo de ir a Pequim para negociar. Enquanto isso, a imprensa chinesa tem aumentado os ataquesao prêmio Nobel da Paz. O Tibet Daily o chama de "jacal com face humana e coraçãode uma besta" e o acusa, junto com seus seguidores, de "nuncadesistir de tentar restaurar sua teocracia corrupta e seusprivilégios feudais".

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