Tibetanos decidem apoiar tática do líder espiritual dalai-lama

'Caminho do meio' reconhece Tibete como parte integrante da China, mas defende maior grau de autonomia

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

22 de novembro de 2008 | 10h13

Representantes da comunidade tibetana no exílio decidiram neste sábado, 22, na Índia manter a política do dalai-lama de buscar maior grau de autonomia para o Tibete por meio de negociações com o governo chinês, apesar da ausência de progresso nas oito reuniões realizadas desde 2002. A votação foi realizada depois de uma semana de discussões de cerca de 600 delegados que integram o Parlamento do governo tibetano no exílio, liderado pelo dalai-lama. A posição adotada pelo grupo representa uma vitória do líder espiritual frente a correntes radicais que defendiam a mudança de política em relação à China e a busca de total independência para a região. No fim de outubro, o dalai-lama afirmou que havia perdido as esperanças de conseguir avanços na direção de maior autonomia para o Tibete com os atuais líderes chineses e anunciou que o Parlamento decidiria o caminho a ser seguido. Alguns estudiosos da questão tibetana interpretaram as declarações como uma estratégia do dalai-lama de obter respaldo à sua posição, que sofria ataques crescentes de grupos radicais. Chamada de "caminho do meio", a política que foi confirmada neste sábado pelo congresso reconhece o Tibete como parte integrante da China, mas defende um maior grau de autonomia para a região. Os tibetanos temem perder o apoio da comunidade internacional caso passem a defender a total independência. A maioria dos países reconhece o Tibete como parte integrante da China, ainda que muitos defendam um maior grau de diálogo com o dalai-lama, principal líder espiritual dos tibetanos que vivem dentro e fora da China. A mais recente reunião entre representantes do dalai-lama e autoridades do governo chinês ocorreu entre os dias 31 de outubro e 5 de novembro e ambos os lados reconhecem que não houve nenhuma aproximação de posições. Lhadon Thethorg, uma delegada da organização Estudantes por um Tibete Livre, manifestou seu descontentamento com a decisão à agência France Presse. "Nós estamos em um sistema democrático, mas a opinião da maioria nem sempre é a correta", afirmou. "Seja o caminho do meio ou a independência, as pessoas querem uma ação mais vigorosa."

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