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Tibetanos exilados elevam número de mortos para 140

Dalai-lama volta a falar em renúncia se violência continuar; China admite dois mortos em protestos nesta terça

Agências internacionais,

25 de março de 2008 | 09h56

O governo tibetano no exílio elevou para 140 o número de mortos por conta dos protestos das duas últimas semanas, embora as restrições de informação impostas por Pequim dificultem o balanço de vítimas, segundo a CNN afirmou nesta terça-feira, 25. Choques entre manifestantes e policiais em Garze, jurisdição da província de chinesa Sichuan, deixaram pelo menos dois mortos nesta terça-feira, segundo informações de meios de comunicação estatais e grupos de direitos humanos.  Veja também: ONU alerta Nepal sobre prisão de manifestantes tibetanos  Pelo menos dois morrem em novo confronto em área tibetana  Entenda os protestos no Tibete O dalai-lama, líder espiritual tibetano, reiterou em Nova Délhi que renunciará "se as manifestações violentas continuarem", em referência aos protestos de tibetanos contra as autoridades chinesas. "Deixei sempre claro que a expressão de emoções profundas deve estar sob controle. Se estão fora de controle, não temos opções. Se as manifestações violentas continuarem, renunciarei", disse. O líder budista pediu que os tibetanos se contenham e não escolham a violência contra o povo chinês. Autoridades locais do Tibete afirmam que prenderam 13 pessoas envolvidas nos protestos que ocorreram em Lhasa em 10 de março, informou o jornal Tibet Daily nesta terça, acusados de terem "gritado slogans reacionários" e "segurado faixas" para "reunir uma multidão e criar confusão", no início dos protestos, há duas semanas. O protesto em que as duas pessoas morreram teve início na segunda, como uma marcha pacífica liderada por monges e freiras, mas tornou-se violento quando policiais armados tentaram conter os manifestantes, que já eram cerca de 200 depois que residentes se juntaram à manifestação. A agência oficial de notícias Xinhua informou que os manifestantes atacaram a polícia com facas e pedras, matando um policial. Já o Centro Tibetano para os Direitos Humanos e Democracia disse que um monge foi morto e outro está em estado grave depois que os agentes de segurança dispararam cinco vezes contra a multidão.  O ministro da Segurança Publica, Meng Jianzhu, ordenou que as forças de segurança no Tibete permaneçam em alerta e disse que campanhas de "educação patriótica" serão reforçadas nos monastérios, segundo o jornal Tibet Daily.  O incidente de segunda-feira elevou para 140 o número de mortos desde o início dos protestos pela independência da região, de acordo com a contagem feita pelo governo do Tibete no exílio. Estimativas do governo chinês anteriores aos choques em Sichuan indicavam um total de 19 mortes. O governo tibetano exilado publicou ainda uma lista com 40 pessoas que estariam mortas. "Sempre respeitei a população chinesa, o comunismo chinês. Muitos dos manifestantes tibetanos são ideologicamente comunistas. Tanto dentro quanto fora da China, se nas manifestações forem utilizados métodos violentos, sou totalmente contra", disse. Desde 10 de março, monges budistas com apoio da população civil protagonizaram protestos no Tibete para lembrar o aniversário da fracassada rebelião tibetana contra o mandato chinês em 1959, que causou a ida ao exílio do dalai-lama. Chineses e tibetanos têm visões diferentes sobre os protestos, que foram iniciados por monges budistas no aniversário de uma insurgência tibetana contra o domínio chinês. O governo chinês acusa o líder espiritual do Tibete, o dalai-lama, de coordenar os protestos para tentar sabotar os Jogos Olímpicos na esperança de promover a independência do Tibete. Entretanto, o governo tibetano no exílio, liderado pelo Dalai Lama em Dharamsala, no norte da Índia, afirma que o movimento foi organizado pelos próprios tibetanos e acusa as forças de segurança chinesas de matar civis inocentes. A imprensa oficial chinesa publicou um editorial nesta segunda-feira acusando a mídia ocidental de distorcer os fatos na cobertura dos eventos no Tibete. E a imprensa estrangeira tem se mostrado cada vez mais frustrada com a censura chinesa, que não permite aos jornalistas internacionais ter acesso direto às regiões de conflito.  (Com BBC Brasil)

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