Tibetanos exilados invadem sede da ONU no Nepal

Pelo menos 60 manifestantes são presos; China promete não punir monges que protestaram diante de jornalistas

Efe e Associated Press,

28 de março de 2008 | 08h50

Um grupo de jovens tibetanos exilados no Nepal ocuparam nesta sexta-feira, 28, a sede das Nações Unidas (ONU) na capital do país, Katmandu. Cerca de 60 manifestantes foram detidos pela polícia.  Veja também: Entenda os protestos no Tibete Diplomata brasileiro integra comissão enviada ao Tibete Os tibetanos que adentraram os escritórios da instituição continuavam dentro do complexo da ONU, carregando bandeiras do Tibete e placas nas quais estava escrito: "Tibete livre". Jornalistas e fotógrafos não receberam permissão para entrar no prédio da entidade, e viram os manifestantes serem levados para um sala de conferências.  A polícia nepalesa cercou o local e bloqueou todos os portões de acesso. Um oficial entrou para pedir que os manifestantes se entregassem, mas não foi atendido. Funcionários da ONU não informaram a condição dos manifestantes ou que destino pretendem dar a eles. Um comunicado deve ser divulgado ainda nesta sexta. O Nepal, importante rota para tibetanos que fogem do regime chinês, tem sido criticado por não permitir demonstrações pacíficas contra a violência no Tibete. Autoridades do governo autonômo do Tibete, província ocupada pela China há quase 50 anos, afirmaram nesta sexta que os os monges que protestaram diante da delegação de jornalistas estrangeiros em Lhasa na quinta-feira e afirmaram que o "Tibete não é livre" não serão punidos, destacando que as afirmações dos religiosos são falsas. "O que disseram não é verdade. Estão tentando confundir a opinião do mundo", assegurou o vice-presidente da região autônoma, Baema Chilain, citado pela agência de notícias Xinhua. Na quinta-feira, cerca de 30 monges interromperam a visita dos repórteres com protestos, assegurando que as autoridades não lhes deixavam sair do templo. Os religiosos afirmaram que o confinamento acontece em vários monastérios da cidade, chamaram as autoridades chinesas de "mentirosas", e se mostraram temerosos que suas declarações fossem punidas pelas autoridades. O protesto aconteceu no templo Johkang, um dos mais sagrados para o budismo tibetano e no qual os monges desafiaram as autoridades e gritaram "o Tibete não é livre", alguns deles entre lágrimas. Segundo os repórteres estrangeiros, os monges também gritaram que o dalai-lama não era culpado pela violência registrada no dia 14 de março, apesar de Pequim insistir em dizer que ele foi o instigador do movimento. Naquele dia, tibetanos de Lhasa atacaram lojas e edifícios públicos, dirigindo sua violência contra chineses de etnia Han e muçulmanos Hui, como mostraram fotos e vídeos feitos por turistas estrangeiros. O governo chinês afirma que estes incidentes mataram 19 pessoas, 18 civis e um policial. A violência explodiu pelo fato de que, em 10 de março, a polícia reprimiu violentamente manifestações realizadas por monges tibetanos no 49.º aniversário da rebelião do Tibete contra a China, que fracassou e motivou a fuga do Dalai Lama para o exílio. Enquanto a China afirma que a situação voltou à normalidade em Lhasa, o governo tibetano no exílio defende que a repressão policial posterior matou 140 pessoas.

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