Tibetanos se manifestam contra China durante cúpula nuclear

Tibetanos se manifestam contra China durante cúpula nuclear

Grupo pediu autonomia do Tibete enquanto Hu Jintao se encontrava com Obama

12 de abril de 2010 | 19h52

Tibetanos e membros da seita Falun Gong fazem protestos pacíficos no Samuel Gompers Memorial Park

 

Efe

 

WASHINGTON- Mais de cinquenta tibetanos e membros da seita Falun Gong se manifestaram nesta segunda-feira, 12, nas imediações do centro de convenções que abriga a cúpula nuclear de Washington, para pedir liberdade, justiça e respeito aos direitos humanos na China.

 

Os manifestantes, reunidos em sua maioria no Samuel Gompers Memorial Park e rodeados por um forte dispositivo de segurança, empunhavam cartazes com os dizeres "Hu Jintao assassino" e "mentiroso", "liberdade para os presos políticos", "parem a perseguição a Falun Gong", "levem Jiang Zemim à Justiça" "Tibete Libre", "longa vida ao dalai-lama", entre outros.

 

Falun Gong, um grupo religioso ilegalizado por Pequim em 1999, teve mais de 500 mil membros assassinados e mais de 3 milhões torturados em campos de trabalho na China. Por isso, pedem que Zemin, presidente chinês entre 1993 e 2003, preste contas à Justiça.

 

O protesto, que se desenvolveu pacificamente e com adeptos do Falun Gong meditando enquanto defendiam sua causa, tem como objetivo chamar a atenção dos representantes dos 47 países que assistem à cúpula sobre a situação da seita, disse à Efe Algawang Tashi, do Congresso Regional Juvenil Tibetano de Nova York e Nova Jersey.

 

"Antes de falar de um mundo livre de armas nucleares e da paz, a China deveria começar em sua própria casa, permitindo a independência do Tibete", disse o jovem.

 

Tashi também afirmou que, como o tema central da cúpula é um mundo livre de armas nucleares, a China e outros líderes deveriam assegurar também que o Tibete seja uma "zona livre" dessas armas e que esteja "a salvo" das mesmas.

 

O Tibete está localizado entra a China e a Índia e poderia atuar como região independente, como uma zona amortizadora entre os dois países nucleares, na opinião do grupo.

 

Enquanto os tibetanos protestavam contra o "regime autoritário" de Pequim, o presidente Barack Obama se reunia a poucos metros do parque com seu colega chinês, Hu Jintao. No encontro, de acordo com a Casa Branca, Jintao aceitou a imposição de uma nova rodada de sanções ao Irã por seu programa nuclear.

 

Há dois meses, Obama se encontrou com o dalai-lama na Casa Branca, e o expressou seu "firme" apoio aos direitos tibetanos, o que causou novas tensões com Pequim.

 

O governo chinês considera o líder espiritual tibetano, que defende a autonomia da região sem pedir sua independência, um líder separatista. O Tibete foi ocupado pela China em 1951.

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