Tigres Tâmeis declaram cessar-fogo unilateral no Sri Lanka

Ministro da Defesa cingalês, Gotabaya Rajapakse, rejeita trégua e pede rendição dos rebeldes

BBC Brasil, BBC

26 de abril de 2009 | 08h36

Os rebeldes do grupo separatista Tigres Tâmeis anunciaram neste domingo um cessar-fogo unilateral com efeito imediato no Sri Lanka.

O secretário da Defesa cingalês, Gotabaya Rajapakse, rejeitou a trégua. Ele disse à BBC que o cessar-fogo era uma "piada" e que os rebeldes deveriam libertar todos os civis presos na zona de conflito, no noroeste do país.

Um porta-voz dos Tigres Tâmeis disse à BBC que a decisão foi tomada devido ao que chamou de uma "crise humanitária sem precedentes" na região.

Os rebeldes afirmaram ainda que o anúncio é uma resposta aos pedidos da ONU, da União Europeia, dos governos da Índia e de outros países.

A comunidade internacional vem pressionando o Exército e os separatistas por um cessar-fogo. O subsecretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, se reuniu com autoridades cingalesas para pedir permissão de acesso de agentes humanitários na zona de conflito.

O governo também criou acampamentos temporários para refugiados.

Os rebeldes estão cercados por tropas em uma área de 12 quilômetros quadrados. Segundo a ONU, cerca de 160 mil civis conseguiram fugir da região, mas cerca de 50 mil permanecem presos entre o conflito.

O correspondente da BBC na capital cingalesa, Colombo, Charles Haviland, disse que a declaração de cessar-fogo unilateral demonstra que os rebeldes estão se sentindo cada vez mais pressionados.

O governo, em contrapartida, sente que está avançando na campanha contra os Tigres Tâmeis, afirmou o correspondente.

 

ONU

 

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, já se encontra no Sri Lanka para comprovar "in situ" a situação de mais de 100 mil civis deslocados e hospedados em acampamentos por causa do conflito no país, informaram diferentes meios de imprensa.

 

Holmes, que chegou este sábado à noite, deve visitar os campos de deslocados em Vavuniya (norte) e se reunirá com vários dirigentes do país, disse à Agência Efe por telefone o porta-voz da ONU Gordon Weiss.

 

Holmes pretende que o Governo facilite as missões humanitárias e que o pessoal da ONU tenha melhor acesso aos deslocados.

 

Segundo a ONU, cerca de 50 mil civis continuam na região sob controle da guerrilha dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE), onde estão expostos a bombardeios militares e carecem de acesso à comida ou remédios.

 

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Com Efe

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