Pat Sullivan/AP Photo
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Time da NBA vira alvo de retaliações na China após apoiar Hong Kong

O Houston Rockets perdeu patrocínio e não terá jogos transmitidos na TV estatal chinesa após um dos dirigentes publicar postagem apoiando manifestações pró democracia em Hong Kong

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2019 | 16h34

XANGAI - As manifestações pró-democracia em Hong Kong e a repressão feita pela China alcançaram a liga de basquete dos Estados Unidos, a NBA, nesta segunda-feira, 7. A polêmica refere-se a um tuíte de um dirigente do time americano Houston Rockets, do Texas, em apoio aos manifestantes, escrito ainda no fim de semana.

O gerente-geral dos Rockets, Daryl Morey, pediu desculpas nesta segunda pelo tuíte, que foi apagado logo em seguida, mas seu apoio aos protestos na cidade sob controle da China revoltou Pequim, torcedores chineses e parceiros do time em um mercado crucial para a NBA.

“Não era minha intenção que meu tuíte causasse qualquer ofensa aos torcedores do Rockets e aos meus amigos na China”, tuitou Morey nesta segunda-feira.

“Estava meramente expressando um pensamento, baseado em uma interpretação, de um evento complicado”, disse, acrescentando que desde então ouviu e levou em conta outras perspectivas.

Os Rockets são muito populares na China, em especial porque contrararam em 2002 o jogador chinês Yao Ming, que se tornou um astro e ajudou a criar seguidores da NBA no país.

O tuíte inicial de Morey incluía uma imagem com a legenda “Lute Pela Liberdade. Fique ao Lado de Hong Kong”.

A mensagem levou a marca de roupas esportivas Li-Ning e o patrocinador Centro de Cartões de Crédito do Banco de Desenvolvimento Xangai Pudong (SPD Bank) a suspenderem seu trabalho com os Rockets, e os jogos do time foram tirados da grade da emissora estatal chinesa.

A postagem foi apagada mais tarde, e Morey, de 47 anos, executivo do ano da NBA em 2018, disse que suas opiniões não representam o time ou a liga.

NBA emite comunicados diferentes

Em um comunicado separado, a NBA disse que “admitimos que as opiniões expressadas pelo gerente-geral do Rockets, Daryl Morey, ofenderam profundamente muitos de nossos amigos e torcedores na China, o que é lamentável”.

A versão em chinês emitida pela NBA pareceu ir mais além do comunicado em inglês, dizendo: “Estamos extremamente decepcionados com os comentários inadequados feitos pelo gerente-geral do Rockets, Daryl Morey”.

A NBA acrescentou que “temos grande respeito pela história e pela cultura da China e esperamos que o esporte e a NBA possam ser usados como uma força unificadora para transpor abismos culturais e unir as pessoas”.

O furor é o exemplo mais recente de uma marca estrangeira afetada pela polêmica relativa aos protestos. Muitas marcas ocidentais, como a espanhola Zara, estão sendo forçadas a esclarecer suas posições em relação à soberania chinesa agora que os protestos de Hong Kong estão atiçando um fervor nacionalista. / REUTERS

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