Time revela domingo se Bin Laden será "homem do ano"

O diretor da revista Time, Jim Kelly, decidiu, nesta sexta-feira, quem será "o homem do ano" na última edição da publicação, após um longo debate, que provocou duras reações a partir de rumores de que o personagem em questão poderia ser Osama bin Laden. Só no domingo será conhecida a resposta ao dilema. No domingo, a Time antecipará a capa de seu número de fim de ano, que estará nas bancas na segunda-feira. Se a Time escolher Bin Laden, será a decisão mais controvertida e provocativa deste 1938: naquele ano, o homem de capa do último número da revista fundada por Henry Luce foi Adolph Hitler. Luce, na realidade, não teve dúvidas. "Deve ser a pessoa ou pessoas que mais influíram em nossas notícias e nossas vidas, para o bem ou para o mal", já havia dito o editor em 1927, ao fixar os critérios para a escolha do "homem do ano". Em 1927, a escolha foi incontestável: o aviador Charles Lindbergh. Mas, desde então, os tempos mudaram, e agora a Time se defronta com muitos interesses em jogo. A revista perdeu este ano 23% de suas páginas de publicidade e 17% de suas vendas. Se Bin Laden aparecer na capa, a indignação dos leitores e anunciantes estará assegurada."Poderia ser um pesadelo com repercussões por todo o ano de 2002", observou o especialista em relações públicas Howard Rubenstein.Kelly teve, além de Osama, toda outra série de personagens elegíveis, sem dúvida mais populares: o presidente George W. Bush, o prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, ou um bombeiro-símbolo. Esta última seria a opção de mais agrado do americano comum: segundo uma pesquisa eletrônica da CNN, 34% dos leitores da Time gostaria de ver na capa os heróis de 11 de setembro. "Estou feliz por não estar na pele de Kelly", comentou Lewis Lapham, o diretor da Harper´s. A escolha do "homem do ano" desencadeou na Time um debate apaixonado, que dividiu tanto os jornalistas quanto os leitores. Além disso, as cartas de assinantes que ameaçam renunciar à leitura da revista, se Osama aparecer na capa, inundaram as caixas de correio da publicação. "Elejam Bin Laden como ´a besta do ano´. Se o colocarem como ´a personalidade do ano´, cortarei minha assinatura", ameaçou de Auburn, na Califórnia, a leitora Marcia Morris. O próprio Kelly, que é filho de um policial, admitiu que a de hoje foi a eleição mais difícil de sua carreira. Ele disse que "apesar de insistirmos em que a ´personalidade do ano´ não é uma honra, as pessoas continuam considerando (a escolha) como um reconhecimento positivo". A ilustre capa homenageou no passado presidentes, capitães da indústria, prêmios Nobéis e pontífices. Para preparar seus leitores sobre o possível golpe, em seu site na Internet a Time publicou uma lista de homens historicamente significativos, mas que, sem dúvida, não foram grandes benfeitores da humanidade e que figuraram em sua capa. Além de Adolph Hitler, que foi a "personalidade do ano" em 1938, Stalin conquistou duas capas, em 1939 e 1942. E o aiatolá Khomeini ganhou a de 1979 graças à crise dos reféns americanos na embaixada de Teerã.

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