Timor Leste decreta emergência após ataque contra presidente

Ramos-Horta está em coma induzido após ser baleado; premiê também sofre tentativa de assassinato

Agências internacionais,

11 de fevereiro de 2008 | 09h01

O governo do primeiro-ministro Xanana Gusmão decretou estado de emergência pelas próximas 48 horas no Timor Leste e toque de recolher em algumas regiões do país após a tentativa de assassinato contra os chefes de governo do país, incluindo o presidente José Ramos-Horta, que está em coma induzido após ser baleado em um atentado no domingo, 10.  Brasileiros são impedidos de deixar o TimorPara Gusmão, situação no Timor está controlada Ex-premiê do Timor culpa ONU por atentadosApós cirurgia, estado de Ramos Horta é estávelPresidente do Timor Leste é baleado em casa O presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, foi colocado em "coma induzido" em um hospital na Austrália depois de ter sido baleado em um atentado nesta segunda-feira de manhã (hora local) em sua casa nos arredores de Díli, a capital do país, segundo informações. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Zacarias da Costa, afirmou que a situação clínica do Presidente é estável após a primeira operação no hospital militar australiano em Díli. Xanana Gusmão também foi alvo de uma emboscada na segunda-feira de manhã quando saía de sua residência em direção ao Palácio do Governo. Ele escapou sem ferimentos. Seu veículo, junto com o de sua segurança pessoal, foi atingido por tiros, mas todos os ocupantes saíram ilesos. "Considero esse incidente uma tentativa de golpe contra o Estado por Reinado e ele fracassou", disse Gusmão a repórteres. Gusmão considerou a tentativa de golpe uma operação bem planejada visando "paralisar o governo e criar instabilidade".  Segundo a BBC, Ramos-Horta foi transportado na segunda-feira à tarde (hora local) para Darwin no norte da Austrália, onde prosseguirá os tratamentos para os ferimentos causados por duas balas, que o atingiram no braço e no abdômen.  Segundo um comunicado de imprensa divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, os ataque teriam sido liderados pelo rebelde Alfredo Reinado. O líder militante e outro integrante do seu grupo, ainda não identificado, foram mortos na troca de tiros. Reinado foi um dos protagonistas da onda de violência que varreu o país em 2006, após sua expulsão do Exército junto com outros 598 militares.  Gusmão anunciou nesta segunda-feira que Vicente Guterres, vice-presidente do Parlamento, assumiu a Presidência da República interinamente. "Estamos ponderando sobre como o Estado dever reagir a tudo isto", afirmou Xanana em um comunicado de imprensa e adiantando que "as instituições estão em alerta para qualquer ato de vandalismo". O premiê garantiu aos jornalistas que a situação em Dili é estável e apelou à população para manter a calma. Fim da estabilidade Os ataques jogaram a pequena nação que conquistou recentemente sua independência frente a Indonésia num novo turbilhão. Em 2006, a demissão de 600 soldados amotinados deflagrou levantes que deixaram 37 mortos, obrigaram 150 mil pessoas a abandonarem suas casas e provocaram o colapso do governo. Reinado foi um dos vários comandantes que se amotinaram. Enquanto a maioria retornou a suas casas, Reinado e um número indeterminado de seguidores armados permaneciam na clandestinidade, recusando a aceitar termos de uma rendição. Em novembro passado, Reinaldo havia ameaçado usar a força contra o governo, depois de ter sido indiciado por envolvimento em confrontos iniciados em abril do ano passado e que levaram à morte 37 pessoas no Timor Leste. A Austrália anunciou que enviará reforços para a força internacional de paz que atualmente garante a ordem no país, elevando o total para cerca de mil soldados. A nação vizinha também prometeu enviar mais policiais para a força de 1.400 efetivos, liderados pela ONU. "Alguém tentou assassinar a liderança política de nosso amigo, parceiro e vizinho", disse o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, em Camberra. "Eles nos pediram ajuda, e vamos providenciá-la". Ex-colônia portuguesa, o Timor Leste foi anexado pela Indonésia na década de 70 e vem sendo palco de violência desde sua independência, em maio de 2002. O país se libertou de 25 anos de domínio indonésio depois de um plebiscito em 1999, e foi colocado sob a proteção das Nações Unidas até 2002. Ramos Horta venceu o Nobel da Paz pelos seus esforços em pela independência do Timor Leste, durante o período em que o Timor esteve sob ocupação da Indonésia.

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