Timor Leste prolonga estado de emergência por mais dez dias

Justiça busca 18 soldados por tentativa de assassinar presidente; Ramos-Horta pode ter alta em até 3 semanas

Agências internacionais,

13 de fevereiro de 2008 | 08h54

O Parlamento do Timor Leste aceitou nesta quarta-feira, 13, a extensão por dez dias do estado de emergência imposto depois das tentativas de assassinato perpetradas contra o presidente e o primeiro-ministro do país, dois dias atrás. A autorização foi dada no mesmo dia em que  as autoridades do país emitiram ordens de prisão para 18 soldados rebeldes supostamente envolvidos nas tentativas de assassinato do presidente José Ramos-Horta e do primeiro-ministro Xanana Gusmão.   Veja Também Leia entrevista de Ramos-Horta ao 'Estado' Presidente do Timor Leste é baleado em casa Lula repudia atentado contra presidente Ramos-Horta é figura central há 30 anos Miséria e violência: combustíveis da crise   O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que escapou ileso do atentado contra ele na segunda-feira, havia requisitado ao Parlamento a ampliação do estado de emergência por considerar que a medida "é do interesse do povo, para que se possa viver em paz e normalidade". A extensão do estado de emergência foi aprovada por 30 votos a favor e 14 abstenções. O estado de emergência proíbe a realização de manifestações, amplia o poder da polícia e impõe um toque de recolher noturno.   Os médicos que estão tratando do presidente timorense, José Ramos-Horta, no Hospital Real de Darwin, na Austrália, disseram que ele precisa ser submetido a novas cirurgias, mas esperavam uma recuperação total. Ele ainda pode receber alta em duas ou três semanas.   "Caso tudo saia bem, imagino que em duas semanas, provavelmente três, ele esteja recuperado antes de poder subir em um avião", afirmou o cirurgião Phil Carson do Hospital Real de Darwin, no norte da Austrália. Carson disse que mantém Ramos Horta, de 58 anos, sedado e que ele continuará assim até a próxima sexta, enquanto são realizadas novas intervenções cirúrgicas. "Sofreria muito caso estivesse consciente, o que nos faz optar por mantê-lo sedado", declarou o médico.   Gusmão também foi alvo de uma emboscada na segunda-feira de manhã quando saía de sua residência em direção ao Palácio do Governo. Ele escapou sem ferimentos. Seu veículo, junto com o de sua segurança pessoal, foi atingido por tiros, mas todos os ocupantes saíram ilesos.   Segundo a BBC, o presidente estava do lado de fora de sua casa, quando ouviu tiros e tentou retornar para dentro da residência. Foi durante este trajeto que ele teria sido alvejado por três tiros, um no abdômen e dois no peito. Reinado e outro integrante do seu grupo foram mortos na troca de tiros.   Os corpos de Reinado e de seu seguidor foram levados nesta quarta em meio a forte escolta policial e entregues a familiares e seguidores. Centenas de amigos, parentes e admiradores dos rebeldes buscaram dar uma recepção de herói aos dois. O sepultamento deverá ocorrer na quinta. "Aceito a morte dele com o coração triste", disse Victor Alvez, tio de Reinado. "Apelo a todos os militantes que aceitem a morte dele e sejam pacíficos."   Reinado foi um dos protagonistas da onda de violência que varreu o país em 2006, após sua expulsão do Exército junto com outros 598 militares. Na ocasião, pelo menos 37 pessoas foram mortas em várias semanas de combates e mais de 150 mil timorenses foram obrigados a deixar suas casas.   Reinado, um ex-comandante naval, foi acusado de envolvimento em diversos tiroteios e de assassinato. Ele escapou da prisão, e, com um grupo de seguidores, se entrincheirou nas montanhas, recusando-se a se entregar às autoridades.   Matéria ampliada às 9h50.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.