Timor: segundo Ramos-Horta, situação em Díli está controlada

O ministro da Defesa do Timor Leste, José Ramos-Horta, assegurou nesta segunda-feira ao Parlamento timorense que os cerca de 600 policiais internacionais mobilizados em Díli conseguiram controlar a situação na capital, castigada durante as últimas semanas por uma onda de violência.O anúncio de Ramos-Horta acontece um dia antes de o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidir se prorroga a missão do Escritório da ONU no Timor Leste, assim como a mobilização de uma força policial no país."Uma força policial da ONU permanecerá no marco do atual acordo bilateral sobre a mobilização de tropas internacionais, mas, com o apoio do Conselho de Segurança, estas se transformam em forças de paz", explicou Ramos-Horta, ao afirmar que "isto será decidido mais tarde".Ramos-Horta, que também é ministro de Relações Exteriores, declarou ao Parlamento que pediu oficialmente à ONU que investigue a recente onda de violência, que matou mais de trinta pessoas em Díli.Ajuda internacional O ministro também aproveitou para lançar um pedido de ajuda à comunidade internacional para alimentar e abrigar cerca de 100 mil pessoas que foram forçadas a abandonar suas casas após a eclosão da luta entre facções militares e gangues rivais, há mais de um mês. "Precisamos de mais ajuda, e, se a conseguirmos, então poderemos controlar a situação, e pouco a pouco as pessoas poderão voltar para suas casas", disse Ramos-Horta a repórteres. Alguns grupos internacionais já estão prestando auxílio aos desabrigados que fugiram de suas casas para abrigos improvisados e acampamentos na periferia da capital timorense.Apoio diplomáticoAinda nesta segunda-feira, foi anunciado que o presidente timorense, José Alexandre Xanana Gusmão, irá se reunir com seu homólogo indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, na ilha de Bali, para discutir a recente onda de violência em Díli.De acordo com o porta-voz indonésio Dino Patti Djalal, Yudhoyono "quer ouvir diretamente do presidente Xanana Gusmão sobre os mais recentes desdobramentos" no Timor Leste.A reunião será realizada no sábado em Bali. Djalal disse a jornalistas que Yudhoyono quer manifestar "apoio moral e diplomático" ao governo de Timor Leste para buscar junto com a comunidade internacional uma solução pacífica para o conflito.ViolênciaMais de 30 pessoas já morreram no Timor Leste desde março, quando o primeiro-ministro Mari Alkatiri anunciou a demissão de aproximadamente 600 soldados em greve.Revoltados com a exoneração, os soldados renegados desencadearam uma onda de incêndios, saques e confrontos nas ruas de Díli, a capital do Timor Leste. A disputa também desencadeou desavenças sectárias entre os timorenses do leste do país, favoráveis à independência em relação à Indonésia, e timorenses do oeste, pró-Indonésia.Trata-se da pior onda de violência a afligir o país desde 1999, quando milícias leais ao governo indonésio promoveram uma campanha de assassinatos e destruição depois que os timorenses votaram pela independência em um referendo patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU).A Indonésia anexou militarmente o Timor Leste em 1976, meses depois de o pequeno território ter conseguido a independência de Portugal. Cerca de 200 mil timorenses foram assassinados em mais de duas décadas de ocupação pela Indonésia.

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