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Mohammed Salem / REUTERS
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Tipo de bomba de precisão usada por Israel em Gaza vai equipar novos caças brasileiros; leia análise

Para ter uma maior correção em seus ataques contra o grupo Hamas no enclave palestino com uma das maiores densidades habitacionais do mundo, Israel utilizou uma classe de bombas altamente precisas e destruidoras

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2021 | 05h00

Para ter uma maior correção em seus ataques contra o grupo Hamas na Faixa de Gaza, enclave palestino com uma das maiores densidades habitacionais do mundo, Israel utilizou uma classe de bombas altamente precisas e destruidoras. De fabricação própria ou importadas dos Estados Unidos, essas bombas se dividem basicamente em três tamanhos que são de 113 kg, 453 kg e até 1 tonelada de peso útil, todas com um grande diferencial: bombas inteligentes. São com essas bombas que os novos caças brasileiros serão equipados. 

Construídas como bombas burras - como são conhecidas as bombas gravitacionais, que são despejadas pelos aviões e foram amplamente utilizadas na 2ª Guerra -, elas recebem três dispositivos que as transformam em bombas inteligentes, dando a elas a capacidade necessária de acordo com a estratégia militar a ser adotada.

O primeiro dispositivo é eletrônico e fornece as coordenadas exatas do alvo a ser atingido. O segundo dá estabilidade e aerodinâmica ao armamento. O terceiro são as aletas, que são como uma espécie de barbatana de peixe, responsáveis em fazer a guiagem do projétil. Com isso, essas bombas podem ser lançadas a uma distância de até 60 quilômetros. 

No caso da última campanha em Gaza, elas foram disparadas a 40 quilômetros, em média, do alvo. É como fazer um disparo da cidade paulista de Jundiaí para atingir um prédio na Avenida Paulista, na capital. Após fazer um voo planado, ela alcança o alvo desejado com uma margem de erro de 3 metros. 

No dia 15, Israel utilizou duas dessas bombas de maior peso, de fabricação própria chamada S-2000, no ataque que derrubou o prédio de 12 andares que abrigava os escritórios da agência de notícias Associated Press e do site de notícias Al Jazeera. O Exército de Israel alertou sobre o ataque com uma hora de antecedência.

Essas bombas, que destruíram edifícios inteiros em Gaza, foram vendidas pela empresa israelense Rafael Defense Systems para a Índia e a Grécia. Na versão de exportação, a S-2000 é chamada de Spice e foi comprada pelo Comando da Aeronáutica para armar o F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB).

O valor do contrato com o Brasil é estimado em US$ 245,326 milhões, abrangendo 70 bombas, mísseis e sistemas táticos para reconhecimento. Os detalhes do negócio são considerados reservados.

Nos ataques, Israel também utilizou as americanas JDAM (Joint Direct Attack Munition), que se valem de um sistema equivalente. Apesar de ser capaz de construir suas próprias bombas, Israel importa dos americanos para manter seu arsenal cheio. Uma negociação estimada em US$ 735 milhões está em curso atualmente entre os dois países, em um pacote de defesa que inclui um lote de 3 mil bombas JDAM. 

Ainda que o Hamas tenha conseguido aumentar a capacidade e alcance dos disparos de seus foguetes, a maioria esbarrou na dificuldade de se atingir o alvo. Ao mesmo tempo, a resposta da máquina de guerra de Israel sempre foi precisa. 

Os maiores modelos, de 1 tonelada, têm 3 metros de comprimento e dupla detonação. Em uma fração de segundos, a primeira explosão abre caminho depois de atingir o alvo, rompendo barreiras como paredes de concreto, por exemplo, para, em seguida, fazer a segunda detonação. São muito utilizadas nos ataques contra bunkers. As menores, são mais comumente usadas em ataques com alvos mais definidos, para causar o menor dano colateral possível. 

Essas bombas são despejadas pelos caças F-15 e F-16, versões customizadas para a IAF, Israel Air Force, que não podem ser ouvidos nem vistos por grupos militantes que não dispõem de sistema de detecção. O voo de ataque é praticamente fantasma.

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