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Jim Watson/AFP
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Tirar a máscara ou mantê-la? A confusão reina nos EUA

Diretriz gerou um emaranhado de questionamentos, em um país que foi por muito tempo o epicentro da pandemia e onde o debate sobre o uso da máscara, na época de sua generalização durante todo o ano passado, se tornou uma questão partidária 

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2021 | 05h00

WASHINGTON - Com ou sem máscara? O fim da recomendação de usá-la feita por autoridades de saúde dos Estados Unidos aos vacinados contra a covid-19 pegou de surpresa autoridades locais, especialistas e empresas americanas e causou um acalorado debate e muita confusão. 

Mesmo no Congresso houve dúvidas, quando alguns presentes foram convidados a tirar as máscaras, apesar do pedido feito pelo presidente Joe Biden na véspera de que aqueles que preferirem mantê-las sejam "tratados com bondade e respeito". 

Após o anúncio feito na quinta-feira pela principal agência federal de saúde pública, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a prática rapidamente se alinhou com a teoria. 

Aparentemente simples à primeira vista, a diretriz gerou um emaranhado de questionamentos, em um país que foi por muito tempo o epicentro da pandemia e onde o debate sobre o uso da máscara, na época de sua generalização durante todo o ano passado, se tornou uma questão partidária. 

As recomendações do CDC não são vinculativas e a decisão cabe às autoridades estaduais e locais ou às diretorias de negócios e lojas. Elas não se aplicam no transporte público, incluindo aviões, e em hospitais. 

Essa situação deixou patrões e autoridades locais em um dilema: decidir entre as recomendações das autoridades científicas e as preocupações dos americanos ainda afetados pelas repercussões do vírus no país mais atingido pela pandemia, com mais de 580 mil mortes. 

"Até agora, as máscaras eram importantes e de repente não são mais", disse Ivan Matta, de 47 anos, funcionário de uma agência de turismo de Nova York. “O meu receio é como vai ser verificado se as pessoas estão totalmente vacinadas ou não? Acho que tem muita gente que não vai mais usar a máscara mesmo que não esteja vacinada." 

Uma mistura de regras 

Em Nova York, mas também em Washington, as autoridades indicaram brevemente que iriam "estudar" as novas recomendações. Sinal da confusão, a primeira-dama, Jill Biden, tirou a máscara na quinta-feira durante uma visita a um centro de vacinação, mas voltou a usar a proteção no dia seguinte em um museu na capital. 

Em outros lugares, também há uma mistura de regras: em Minnesota e na Pensilvânia, as obrigações em vigor foram atualizadas imediatamente. Em Connecticut, a nova regra não se aplicará até a próxima semana. 

No Texas, a recomendação em última análise não mudará muito as coisas: a exigência de máscara foi abandonada em março - mesmo para os não vacinados. 

As dúvidas surgiram também nas redes de supermercados, muitas das quais introduziram a obrigatoriedade de uso de máscaras faciais para todos os seus clientes.

Após um dia de reflexão, o Trade Joe's e o número um em distribuição, o Walmart, anunciaram que respeitariam as novas regras, enquanto o Aldi disse que manterá a situação como está.

Nas fábricas da General Motors, a máscara continua em vigor por enquanto para "estudar" as novas recomendações. Assim como as farmácias Walgreens. Já o Wynn Casino em Las Vegas provavelmente irá eliminar seu uso. 

“As recomendações do CDC são confusas”, reclamou o sindicato dos distribuidores de alimentos e bebidas UFCW. "Trabalhadores essenciais são frequentemente expostos a pessoas que não foram vacinadas e se recusam a usar máscaras. Eles vão ter e fiscalizar a vacinação?"

Promoção da vacinação

A maioria dos cientistas, que por muito tempo considerou as recomendações de saúde muito cautelosas, aplaudiu os novos anúncios.

As vacinas são eficazes contra variantes, reduzem drasticamente a chance até mesmo de infecções (e não apenas de desenvolverem sintomas) e, nos raros casos em que a doença ocorre de qualquer maneira, a carga viral é reduzida, concluíram estudos. 

Portanto, eles mostram que as pessoas vacinadas (cerca de 36% da população dos Estados Unidos) não colocam a si mesmas ou outras pessoas em perigo, sem falar que os casos diários caíram drasticamente. 

Além disso, em um país onde o fornecimento de vacinas agora supera a demanda, as autoridades esperam encorajar aqueles que estão relutantes em dar este passo. 

No entanto, alguns especialistas expressaram reservas sobre o levantamento imediato da recomendação da máscara, especialmente para áreas onde as taxas de transmissão ainda são altas. 

A epidemiologista Caitlin Rivers, por exemplo, teria preferido que este anúncio dependesse de que, no nível local, houvesse menos casos diários a cada 100 mil. "Dê às pessoas tempo para se organizar", disse Linsey Marr, especialista em transmissão de vírus pelo ar. / AFP

 

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