EFE/ César Carrión / Presidencia de Colombia
EFE/ César Carrión / Presidencia de Colombia

Tiros atingem helicóptero do presidente da Colômbia perto da fronteira com a Venezuela

Iván Duque viajava na aeronave junto com seus ministros da Defesa e do Interior e o governador do Norte de Santander, departamento na fronteira

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2021 | 20h43
Atualizado 25 de junho de 2021 | 23h07

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Iván Duque, denunciou nesta sexta-feira, 25, que o helicóptero em que viajava foi atacado com tiros, perto da fronteira com a Venezuela. O mandatário não foi atingindo, e fez um pronunciamento após o pouso afirmando que não será "amedrontado pela violência de atos de terrorismo". 

“É um ataque covarde em que se veem impactos de munição no avião presidencial”, afirmou o presidente colombiano em mensagem enviada por canais oficiais. Imagens divulgadas pela Presidência mostram diversos impactos de balas na cauda e na hélice principal da aeronave.

Duque viajava na aeronave junto com seus ministros da Defesa e do Interior e o governador do Norte de Santander, departamento na fronteira com a Venezuela. Nenhum dos ocupantes ficou ferido.

Assim que a denúncia foi divulgada, o governo dos Estados Unidos condenou o "energicamente o ataque covarde contra (o) helicóptero". O chefe da missão da ONU na Colômbia, Carlos Ruiz Massieu, também repudiou o que chamou de atentado contra a delegação liderada por Duque. Houve condenação dos governos da região, como da Argentina, do Paraguai e do Peru. 

O líder colombiano enfatizou que tanto o dispositivo de segurança aérea quanto a capacidade do helicóptero impediram que algo letal acontecesse. “Aqui não nos intimidam com violência ou atos de terrorismo. Nosso Estado é forte e a Colômbia é forte para enfrentar este tipo de ameaças”, acrescentou.

Segundo o presidente, a perícia do piloto foi fundamental para evitar maiores danos. Duque fez um chamado para que as forças de seguranças procurem os responsáveis pelo ataque. "Nossas instituições estão acima das ameaças". 

"Seguiremos fortes enfrentando a criminalidade", afirmou Duque, citando organizações que operam no país. Segundo jornal colombiano El Tiempo, tiros de fuzil foram disparados contra a aeronave, com três atingindo o objeto.

As autoridades não disseram se os disparos foram efetuados da Colômbia ou da Venezuela, onde segundo o governo se escondem dissidentes da ex-guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN), última guerrilha reconhecida do país. "Dei instruções muito claras a toda a equipe de segurança de ir atrás de quem atirou contra a aeronave", antecipou Duque.

A comitiva oficial havia saído do município de Sardinata em direção à cidade de Cúcuta, na fronteira, quando ocorreu o ataque. À tarde, o presidente participou de um evento na região de Catatumbo, uma das áreas de maior cultivo de drogas do país, principal exportador de cocaína do mundo.

Dissidentes da guerrilha dissolvida das Farc, rebeldes do ELN e outros grupos armados lutam pela receita do narcotráfico na área, aproveitando os 2.200 quilômetros de fronteira porosa entre Colômbia e Venezuela. Os dois governos romperam relações logo após Duque chegar ao poder em agosto de 2018. 

Trata-se do primeiro atentado contra um presidente colombiano em quase duas décadas. Em fevereiro de 2003, uma carga explosiva de 20 quilos escondida em uma casa vizinha ao aeroporto da cidade de Neiva (sudoeste) foi detonada antes do pouso da aeronave do então presidente Álvaro Uribe, padrinho político de Duque.

O fato, atribuído às extintas Farc, provocou a morte de 15 pessoas e deixou outros 66 feridos.

Tensão na fronteira

A área de fronteira com a Venezuela está sob fogo cruzado. Em 16 de junho, um carro-bomba explodiu dentro de uma instalação militar em Cúcuta, deixando 36 feridos. O governo responsabilizou o ELN. 

Em 2019, Duque rompeu as negociações que seu antecessor, Juan Manuel Santos, vinha mantendo com a guerrilha após o acordo de paz que desarmou as Farc três anos antes. 

O governo acusou em várias ocasiões o presidente Nicolás Maduro de refugiar em território venezuelano tropas do ELN, que anunciou na quinta-feira uma mudança em seu comando.

Antonio García, que segundo a Colômbia também se esconde do outro lado da fronteira, assumiu como líder máximo da organização em substituição a Nicolás Rodríguez Bautista, conhecido como "Gabino", que se afastou devido a problemas de saúde.

Desde que Duque assumiu o poder, o país enfrenta o pior surto de violência desde a assinatura da paz com as Farc. O presidente responsabiliza os grupos que se financiam com o narcotráfico pela onda de massacres que castiga as regiões afastadas onde se cultiva a folha de coca.

Com níveis historicamente baixos de popularidade, o presidente conservador também enfrenta fortes protestos nas cidades. Dezenas de milhares de colombianos tomaram as ruas em 28 de abril para protestar contra uma iniciativa para aumentar impostos da classe média em plena pandemia.

Embora o projeto tenha sido retirado, a forte repressão policial avivou as mobilizações, que ainda persistem em Bogotá e já deixaram mais de 60 mortos. /AFP e AP  

 

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