Tiros em marcha anti-Chávez

Protesto em Mérida tem pelo menos 5 feridos; presidente denuncia ofensiva ?fascista? liderada por EUA

Reuters, Efe e Afp, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Terminou em tiroteio uma passeata organizada ontem por estudantes na cidade de Mérida para protestar contra o projeto de reforma constitucional apresentado pelo presidente Hugo Chávez. A troca de tiros teria sido iniciada depois que os estudantes entraram em choque com as forças de segurança. Segundo o chefe do Departamento de Proteção Civil, Antonio Rivero, quatro policiais foram feridos a bala em circunstâncias confusas. Uma autoridade local disse, sob condição de anonimato, que um motociclista disparou contra um grupo de policiais, ferindo os agentes e um civil. O canal de TV Globovisión divulgou que seis civis ficaram feridos. Entre eles, estaria um cinegrafista do canal RCTV internacional, agredido por policiais e simpatizantes de Chávez. Os estudantes estão protestando desde a semana passada contra a reforma, que deverá ser levada a referendo no dia 2. Na quarta-feira, oito ficaram feridos na Universidade Central da Venezuela (UCV) depois de serem atacados por um grupo pró-Chavez. Anteontem, confrontos com a polícia deixaram outros 14 feridos entre alunos da Universidade Metropolitana (Unimet). Reitores universitários, professores e alunos culparam o presidente pelos confrontos e acusaram o governo de armar os grupos que dispararam contra os estudantes.Representantes do governo e das principais universidades da Venezuela chegaram ontem a um acordo para tentar manter os protestos estudantis sob controle. "Chegamos ao acordo de que quando um protesto, mesmo sendo autorizado, tornar-se violento, de modo automático os órgãos de segurança passarão a dissolvê-lo, pois assim estabelece a lei", disse o ministro do Interior, Pedro Carreño.Em Santiago, no Chile, Chávez, qualificou os protestos estudantis em seu país de uma ofensiva "fascista" impulsionada pela Casa Branca e grupos oligarcas venezuelanos. "Os Estados Unidos organizaram o golpe de Estado de 2002 e agora estão fazendo o mesmo em Caracas numa nova arremetida fascista apoiada pelos meios de comunicação e pela CNN", disse Chávez, durante seu discurso na Cúpula Ibero-Americana. "Quando um governo como o venezuelano coloca em marcha um projeto revolucionário, as máscaras democráticas caem e o que se revela é o horrível rosto fascista das oligarquias desse continente". O procurador-geral da república, Isaías Rodríguez, informou em Caracas que o Ministério Público está investigando o incidente de quarta-feira na UCV para tentar identificar o grupo que agrediu os estudantes. Segundo ele, peritos estão analisando sete vídeos gravados no campus enviados à promotoria. Enquanto a Conferência Episcopal Venezuelana pedia paz no país, a presidente da Assembléia Nacional, Cilia Flores acusava os meios de comunicação críticos ao governo de fomentarem a violência. "Eles estão buscando um morto para dizer que o governo é assassino", afirmou Cilia. O projeto de reforma que está motivando os protestos prevê mudanças em 69 dos 350 artigos da Constituição venezuelana. Ele foi apresentado por Chávez em agosto e aprovado pela Assembléia Nacional do país há uma semana. Entre as mudanças mais polêmicas propostas pelo presidente está a extensão do mandato presidencial de 6 para 7 anos e o fim do limite para reeleições - o que permitiria a Chávez se perpetuar no poder. Se ele for aprovado, o presidente também receberá uma série de poderes extras, que colocarão em suas mãos desde a condução da política monetária até a criação de regiões e municípios e designação de seus administradores.

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