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Tiroteio aumenta a tensão em Cabul na véspera das eleições

Violência volta a atingir capital; militantes Taleban morrem após invasão de banco a alguns metros da Presidência

19 de agosto de 2009 | 08h16

A capital do Afeganistão, Cabul, foi palco de uma nova onda de violência nesta quarta-feira, 19, a um dia das eleições presidenciais do país. Soldados enfrentaram insurgentes que haviam invadido um banco localizado a algumas centenas de metros do palácio presidencial. Três insurgentes morreram. Em outros incidentes, uma onda de ataques matou pelo menos seis funcionários encarregados de organizar as eleições, um dia antes do pleito presidencial.

 

O porta-voz do Taleban, Zabiullah Mujahid, disse que 20 militantes suicidas, vestindo coletes com explosivos, entraram na cidade e que cinco deles entraram em combate com a polícia. A informação não pode ser confirmada. Os últimos ataques são um sinal ameaçador de que o Taleban e seus aliados estão determinados a sabotar as eleições da quinta-feira, nas quais o presidente Hamid Karzai enfrenta mais de 30 candidatos ao cargo.

 

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Na terça-feira, pelo menos 20 pessoas morreram em ataques realizados em várias partes do Afeganistão. No pior deles, em Cabul, um carro-bomba explodiu perto de um comboio militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), deixando ao menos dez mortos, incluindo um soldado da Otan e dois funcionários da ONU. No leste do país, outros dois integrantes das forças dos EUA foram mortos e três ficaram feridos num atentado a bomba. O Taleban assumiu a autoria do ataque.

 

Insurgentes lançaram vários ataques contra funcionários eleitorais, matando pelo menos seis deles. Em uma região considerada segura, quatro funcionários foram mortos na terça-feira por uma bomba, em uma rodovia 30 quilômetros distante da capital da província do Badaquistão. Outros dois funcionários foram mortos no distrito de Shorabak, na província de Kandahar, na terça-feira, quando o veículo deles foi atingido por outra bomba, segundo Abdul Wasai Alakozai, chefe eleitoral para o sul do Afeganistão.

 

O Ministério do Interior afegão informou que aproximadamente um terço dos afegãos correm sério risco de um ataque militante. Não haverá urnas em oito distritos afegãos controlados por militantes.

 

O governo afegão fez um apelo para que os meios de comunicação não divulguem notícias de violência durante a quinta-feira para não assustar os eleitores e não levá-los a desistir de às urnas. Mas a iniciativa foi condenada por jornalistas e ativistas dentro e fora do país.

 

Esta é a segunda vez que o Afeganistão realiza uma eleição presidencial desde a queda do regime do Taleban, em 2001. As pesquisas indicam que o atual mandatário e candidato à reeleição, Hamid Karzai, é o favorito. Entretanto, as analistas dizem que o ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah também tem chances na corrida, entre dezenas de candidatos.

 

Corrupção

 

O chefe do escritório eleitoral afegão afirmou, nesta quarta-feira, que 20% dos materiais para a realização das eleições ainda não haviam sido entregues, às 7h (hora local) desta quinta-feira. Daoud Ali Najafi disse que helicópteros do Exército afegão seriam usados para entregar os equipamentos em áreas inseguras e de difícil acesso.

 

Além da onda de violência, a BBC descobriu ameaças de fraude e corrupção às eleições presidenciais. Milhares de títulos eleitorais teriam sido postos à venda e milhares de dólares oferecidos em suborno para a compra de votos. As cédulas estavam sendo vendidas a menos de US$ 10 cada. Outros vendedores fizeram ofertas similares.

 

Um funcionário afegão da BBC foi enviado a Cabul disfarçado para investigar relatos de que as cédulas estariam sendo vendidas na capital. Segundo Ian Pannell, na capital afegã, é impossível saber quantas cédulas foram vendidas dessa maneira. Ele afirma, no entanto, que a polícia já realizou diversas prisões de envolvidos no esquema. Ele disse ainda que um líder tribal no norte do país afirmou ter recebido uma proposta de milhares de dólares por equipes de campanha para entregar grandes volumes de votos.

 

Um grupo independente que monitora as eleições disse que já havia entregado provas de corrupção no pleito desta quinta-feira às autoridades afegãs, mas que ainda não receberam resposta ou reações sobre as informações entregues. Pannell afirma que autoridades ocidentais já haviam previsto fraude na eleição presidencial, mas insistem que um pleito fraudulento ainda é melhor do que nenhuma votação.

 

Um levantamento da BBC divulgado na segunda-feira indica que cerca de 30% das zonas eleitorais do Afeganistão não estão completamente seguras. A rede de colaboradores do serviço afegão da BBC avaliou a situação dos mais de 350 distritos do país e chegou à conclusão de que em mais de cem deles falta segurança totalmente ou parcialmente. O governo afegão, no entanto, afirma que será capaz de garantir a segurança em 6,5 mil dos 7 mil postos eleitorais do país, e que apenas nove ou dez distritos estão fora do alcance das forças de segurança.

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