Tiroteio deixa 2 mortos, 9 feridos e causa pânico no coração de Nova York

Vingança. Aparentemente revoltado com demissão, designer de acessórios femininos abre fogo contra ex-colega de trabalho nas proximidades do Edifício Empire State; prefeito da maior cidade dos EUA critica política que favorece a posse de armas no país

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h05

Um tiroteio com dois mortos e nove feridos na frente do Edifício Empire State, considerado um dos principais símbolos de Nova York, assustou ontem a maior cidade dos Estados Unidos. Dezenas de quarteirões foram isolados e a segurança reforçada nas estações de metrô em um cenário que fez lembrar as semanas posteriores ao 11 de Setembro.

O responsável, desta vez, não foi um adolescente solitário, como recentemente no Colorado, durante a exibição do novo filme do Batman. Tampouco um radical, como o que atacou um templo Sikh em Wisconsin. Muito menos um terrorista nos moldes do que tentou explodir uma van no Times Square em 2010.

O autor dos disparos, identificado como Jeffrey Johnson e morto pela polícia, tinha 58 anos e lançou o ataque depois de ter sido demitido no ano passado de uma importadora de roupas próxima do Empire State.

O local da ação, diante de centenas de pessoas no cartão-postal de Nova York, acabou transformando o crime em um acontecimento internacional e ofuscou o noticiário sobre as eleições presidenciais americanas.

O Empire State, juntamente com a Estátua da Liberdade e a Times Square, é considerado um dos lugares com maior possibilidade de ser alvo de um atentado terrorista nos EUA.

Todos os dias, milhares de pessoas visitam o observatório na cobertura do prédio para ver a paisagem de Manhattan, incluindo turistas brasileiros.

Outras dezenas de milhares trabalham no edifício e em outros na região. Logo depois do ataque, fotos das vítimas foram publicadas no Instagram e no Facebook.

De acordo com testemunhas, Jeffrey Johnson surgiu de trás de uma van branca e imediatamente e matou seu ex-colega de trabalho Steve Ercolino, de 41 anos, que estava entrando no prédio onde funciona a importadora de roupas Hazan, com um disparo na cabeça. "Eu o vi tirando a arma do casaco e gritei 'ele vai atirar'", disse Irene Timan em entrevista ao New York Times.

Johnson e Ercolino costumavam brigar quando trabalhavam juntos na empresa, segundo os policiais. A escolha do alvo pode, de acordo com a polícia, ter sido motivada por essa divergência. Ercolino trabalhava na área de vendas na importadora.

Um funcionário da construção civil que estava perto avisou policiais da divisão antiterrorismo. Os agentes imediatamente passaram a perseguir e disparar contra Johnson em uma das áreas mais movimentadas de Nova York.

Segundo Raymond Kelly, comissário da polícia da cidade, alguns dos feridos podem ter sido atingidos acidentalmente pelos policiais. "Eles (a polícia) não tinham alternativa, a não ser disparar", disse.

Kelly afirmou que, na importadora, o atirador trabalhava como estilista. No ano passado, ele foi demitido em um corte de pessoal, em princípio sem relação com seu desempenho. Nos últimos meses, segundo conhecidos, Johnson passava a maior parte do tempo recluso em um apartamento em Manhattan (mais informações nesta página).

O prefeito Michael Bloomberg, considerado um dos mais ferrenhos opositores da Segunda Emenda da Constituição dos EUA, que garante o direito de portar armas para todos os cidadãos americanos, defendeu mais restrições a armamentos, como já acontece em Nova York, onde a criminalidade está em declínio nas últimas duas décadas.

Minutos antes do ataque, Bloomberg afirmou em seu programa semanal no rádio que "há muitos revólveres nas ruas" . A arma usada ontem foi comprada legalmente por Johnson em 1991, segundo as autoridades.

"Nova York, como vocês sabem, é a grande cidade mais segura do país e estamos próximos de bater o recorde de menos assassinatos neste ano. Mas não somos imunes ao problema da violência das armas", disse Bloomberg. No fim do dia, aos poucos, a cidade voltava ao normal. O pânico das 9 horas já não persistia às 18 horas, com os moradores de Nova York retornando calmamente para as suas casas.

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