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Atirador mata 26 e fere 20 fieis em igreja no interior do Texas

Massacre em Sutherland Springs, uma comunidade de 640 habitantes, ocorre pouco mais de um mês depois do maior ataque a tiros da história dos Estados Unidos

Cláudia Trevisan, Washington

05 Novembro 2017 | 18h03

Vinte e seis pessoas foram assassinadas a tiros neste domingo, 5, durante culto dominical em uma igreja batista no Texas, no mais grave ataque do tipo no Estado e o quinto com maior número de vítimas da história dos EUA. O crime aconteceu 36 dias depois do maior massacre a tiros do país, que deixou 58 mortos em Las Vegas. Na ocasião, o aposentado Stephen Paddock abriu fogo contra uma multidão que assistia a um festival de música country.

 As vítimas frequentavam a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs, uma comunidade de 640 habitantes a 50 km de San Antonio. O número de mortos representa 4% da população local. Outras 20 pessoas estão em hospitais da região com ferimentos de distinta gravidade. Segundo a polícia, a idade dos mortos varia de 5 a 72 anos.

Vestido de preto e usando um colete à prova de balas, o autor do crime começou a disparar com um fuzil semiautomático pouco depois das 11h20 (15h20, horário de Brasília) do lado de fora da igreja, onde matou duas pessoas. Ele continuou a atirar quando entrou no edifício. Vinte e três vítimas morreram dentro da igreja e outra a caminho do hospital. Vários meios de imprensa americanos identificaram o autor do massacre como Devin Patrick Kelley, um homem branco de 26 anos que vivia no subúrbio de San Antonio. 

De acordo com a rede CBS, ele serviu na Força Aérea de 2010 a 2014 e foi expulso da instituição depois de julgamento em uma corte marcial. Em entrevista coletiva, investigadores disseram que um vizinho da igreja armado com um rifle confrontou Kelley, que deixou o fuzil usado no ataque e fugiu em seu carro. O mesmo morador o perseguiu. O atirador foi encontrado morto em seu veículo. A polícia afirmou que ainda não havia conseguido determinar se ele se suicidou ou foi morto pela pessoa que o perseguiu. Os investigadores não confirmaram a identidade do atirador. Dias antes do ataque, Kelley publicou em sua página no Facebook a foto de um fuzil com a frase “ela é uma p... má”. 

Esse é o segundo ataque a tiros em uma igreja nos EUA em pouco mais de dois anos. No dia 17 de junho de 2015, o defensor da supremacia branca Dylann Roof matou nove fiéis negros na Igreja Episcopal Metodista Africana Emanuel, em Charleston, na Carolina do Sul. 

O presidente Donald Trump, que está no Japão, reagiu ao ataque com um post no Twitter: “Que Deus esteja c/ as pessoas de Sutherland Springs, Texas. O FBI & oficiais da lei estão na cena. Eu estou monitorando a situação do Japão”. 

A Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs costuma filmar seus cultos para o seu canal no YouTube e existe a expectativa de que o ataque deste domingo tenha sido registrado em vídeo. Segundo a CNN, uma das vítimas é a filha de 14 anos do pastor da igreja.

Entre os casos de Las Vegas e o deste domingo, houve 34 casos de “atiradores em massa” no país, categoria que abrange todos os ataques a tiros que deixam pelo menos quatro vítimas, entre mortos e feridos. 

Com poucos controles sobre o comércio de armas, o Estado do Texas registrou o que é considerado o primeiro ataque a tiros da história dos EUA. No dia 1.º de agosto de 1966, Charles Whitman matou 11 pessoas partir do observatório da torre da Universidade do Texas em Austin, em um crime que guarda semelhança com o de Las Vegas, no qual o atirador disparou do quarto de seu hotel. Antes de subir ao local, Whitman havia matado sua mãe e sua mulher e outras três pessoas.

De acordo com o Law Center to Prevent Gun Violence, o Texas está em 34.º lugar entre os 50 Estados americanos no ranking dos que têm a regulamentação mais estrita sobre armas. Muitos texanos são favoráveis ao acesso irrestrito a armas e veem o seu porte como parte da cultura do Estado. Lei que entrou em vigor em agosto do ano passado passou a permitir que estudantes levem armas às universidades do Estado. 

Cada vez que ocorre um ataque a tiros nos EUA, integrantes do Partido Democrata defendem a aprovação de leis que tornem mais rigoroso o acesso a armas no país. Os republicanos se opõem e atribuem os massacres ao desequilíbrio mental de seus autores. 

“A cumplicidade do Congresso tem de acabar”, afirmou o senador democrata Richard Blumenthal. A dificuldade em aprovar legislação sobre o assunto decorre em parte do poderoso lobby da Associação Nacional do Rifle, que mantém um sistema de notas dos parlamentares de acordo com suas votações em propostas sobre armas. 

Os que defendem mais rigor argumentam que não há checagem de antecedentes ou avaliação do estado mental dos compradores em grande parte das vendas. Esses procedimentos são exigidos em lojas, mas não nas centenas de feiras de armas

Declaração. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está em viagem ao Japão, disse que está acompanhado a situação na cidade de Sutherland Springs, no Texas, onde pelo menos 27 pessoas morreram após um atirador invadir uma igreja. "Que Deus esteja com o povo de Sutherland Springs, no Texas. O FBI e as forças da lei estão no local. Estou acompanhando a situação desde o Japão", escreveu Trump, que está em Tóquio, no Twitter.

 

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