Tiroteio em prisão venezuelana deixa pelo menos 7 feridos

Há 3 semanas, detentos armados ocupam a penitenciária La Planta e queixam-se de más condições

LUIZ RAATZ , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2012 | 03h02

Um tiroteio que durou cerca de duas horas ontem na Penitenciária de La Planta, em Caracas, deixou ao menos sete civis feridos. Há versões distintas sobre o conflito no presídio, há três semanas ocupado por detentos armados que reclamam das más condições prisionais. Ao menos cem presos se entregaram e foram transferidos do local.

Segundo a ministra de Assuntos Penitenciários Íris Varella, a origem do tiroteio foi uma disputa entre facções criminosas rivais. De acordo com diretor da ONG Janela Para a Liberdade Carlos Nieto, que monitora o direito dos presos no país, há relatos de envolvimento de membros Guarda Nacional Bolivariana no episódio.

No começo da manhã, era possível ver uma grande coluna de fumaça sobre a prisão e ouvir bombas de efeito moral lançadas para dispersar parentes dos presos que protestavam perto do presídio.Policiais isolaram a prisão e interromperam o trânsito nas áreas próximas.

Como La Planta fica às margens da Autopista Francisco Fajardo, uma das principais vias de acesso à capital venezuelana, Caracas, o crônico problema de trânsito da cidade acabou se agravando.

Depois de duas tentativas de fuga, uma rebelião e denúncias de superlotação nos últimos meses, o governo venezuelano anunciou a decisão de fechar a penitenciária.

"A decisão do governo é irreversível. Os presos têm de depor as armas, entregar-se e deixar a prisão", disse o vice-presidente Elías Jaua à emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV).

O candidato da oposição à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, criticou a política carcerária do governo. "Esse é mais um exemplo do fracasso do governo na questão da segurança pública", escreveu por meio de sua conta no Twitter.

O tema da segurança pública é um dos mais importantes da campanha para as eleições de outubro e questão sensível tanto para o grupo político do presidente venezuelano, Hugo Chávez, quanto para a oposição. Uma das principais estratégias da campanha de Capriles é a de mostrar para a população que o governo de Chávez fracassou na tarefa de combater a criminalidade comum. Caracas é considerada a capital mais violenta do continente. O sistema prisional venezuelano tem capacidade para 12 mil detentos, mas abriga 47 mil.

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