Tiroteios continuam no Quênia e mortos chegam a 25

Tiros foram ouvidos neste sábado emNakuru e gangues armadas bloquearam as ruas da cidade no oestedo Quênia onde pelo menos 25 pessoas foram mortas em conflitosétnicos desde quinta-feira, afirmam testemunhas. A capital da província Vale do Rift foi patrulhada pelapolícia paramilitar, a qual anteriormente reprimira o caospós-eleitoral que matou cerca de 700 pessoas desde a contestadavotação de 27 de dezembro. Jovens hostis portando armas pararam jornalistas emdiversos bloqueios na cidade, impedindo-os de chegar ao localdos tiroteios. "Não há nada que possamos fazer. Todos os que incitam aviolência estão confortavelmente instalados em suas casas deluxo enquanto nós queimamos", disse o morador Urunga Maina, quelevou o sobrinho ferido pela multidão armada com facões aohospital. "Estamos sendo usados como cordeiros num sacrifício", disseMaina à Reuters. "O que importa é que os políticos consigam oque querem. Eles não se importam com os wananchi (pessoascomuns)." Mais de 100 feridos deram entrada no hospital, incluindo umhomem com uma flecha alojada na cabeça. Um médico disse ter visto nove corpos, todos com ferimentosprofundos feitos por facões. No necrotério de Nakuru, osparentes choravam enquanto a polícia descarregava mais 16corpos de um caminhão. As autoridades impuseram toque de recolher durante toda anoite na cidade, tentando conter as batalhas entre ganguestribais. O conflito também registra a primeira intervenção militarqueniana desde o início do derramamento de sangue, há um mês,que vem horrorizando as potências ocidentais, ferindo uma daseconomias mais promissoras da África e destruindo a imagempacífica do país. Isso diminui as esperanças de uma solução, após o encontrodo presidente Mwai Kibaki com seu rival Raila Odinga,quinta-feira, na primeira negociação desde o início doconflito. Odinga diz que a eleição foi fraudada. "MATANDO NOSSO POVO" A polícia disse no sábado que dois homens foram mortos agolpes de facão durante a noite em Naivasha, também no Vale doRift. Benson Waliula, 36, segurança de um banco na cidade, disseque os partidários de Kibaki perseguiram um homem e o mataram. "Primeiro, eles rasgaram as roupas dele, depois o mataramcom golpes de panga (facão). Ele demorou um pouco até morrer. Apolícia ficou olhando. Não havia nada que se pudesse fazer",disse ele. Testemunhas afirmam que a polícia de Nakuru não saiu dosalojamentos na sexta-feira, aparentemente sem saber como contero caos. Morris Ouma, um corretor de 25 anos, disse à Reuters queparticipou do conflito. "Não me sinto bem, mas eles estãomatando nosso povo. O que devemos fazer?", indagou. O encontro na quinta-feira entre Kibaki e Odinga foiarranjado pelo ex-líder da Organização das Nações Unidas (ONU)Kofi Annan, que viajou no sábado para outra cidade do Vale doRift, Molo. O jornal queniano Standart disse que 18 pessoasforam mortas por flechas envenenadas na quinta-feira. A polícianega a informação. (Reportagem adicional de Daniel Wallis em Nairóbi)

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