Toda a Espanha à mesa com os noivos reais

Atenção glutões de todo o mundo: do mesmo visionário que inventou a mousse de milho e o caviar de melão, agora sairá a comida talhada para um rei. Mas Ferran Adrià, o premiado mestre da nouvelle cuisine espanhola, não revela detalhes, nem mesmo de gosto. De fato, no interesse da segurança, ele até parou de trocar e-mails com Juan María Arzak, o chef basco com quem está tocando os preparativos para o jantar para 400 pessoas, uma noite antes do casamento real, sábado em Madri. ?Nós estaremos na vanguarda com as entradas e seremos modernos com os pratos principais?, diz Adrià, em uma entrevista em seu restaurante, no norte de Barcelona. O banquete propriamente dito do casamento, um almoço para 1.400 pessoas, está nas mãos dos chefs do Jockey, um dos restaurantes mais bacanas de Madri. Será super, também. Mas porque é Adrià que estará no fogão, foi o jantar que deixou excitados os gastrônomos espanhóis. Comida é uma coisa sagrada e esplêndida na Espanha ? uma terra de polvos marinados e sangue de porco frito, para falar em princípios ? e ainda mais quando o país se entrega coletivamente ao tititi do esperado casamento do príncipe herdeiro Felipe com a ex-âncora de TV Letizia Ortiz. Até os jornais estão publicando colunas onde os chefs fazem sugestões para o repasto real. A agência noticiosa espanhola Efe divulgou uma reflexão histórica sobre com o que o príncipe, sua noiva e os convidados deveriam ou não banquetear-se e comparou isto com o que convidados dos casamentos das duas irmãs de Felipe comeram: mero - um peixe de carne excelente e uma pièce de resistence das mesas espanholas - entre outros pratos. O único outro assunto a provocar comoção semelhante e tamanha especulação é o modelo do vestido de noiva de Letizia, ou melhor, a geometria de seu decote. Adrià tem um restaurante a duas horas ao norte de Barcelona, chamado El Bulli, onde a lista de espera por uma mesa já chega a seis meses de espera. Através dos anos, o felizardo que consegue sentar-se a uma de suas mesas belisca delícias como sanduíches de sorvete de parmesão e foi gras congelado a vácuo. Em novembro do ano passado, Adrià foi agraciado com a Silver Spoon pela prestigiada revista americana Food Art e o New York Times publicou uma substanciosa matéria sobre o chef dos chefs espanhóis. Adrià revela que ele e Arzak começam a cozinhar dias antes do jantar pré-nupcial, presidindo uma equipe de 15 chefs e 50 sous-chefs nas cozinhas de um complexo de cassinos e entretenimento fora de Madri. Acompanhada pela polícia, a comida será então transportada de caminhão ao Palácio del Pardo, uma das residências do rei Juan Carlos, para o último jantar de seu filho como solteiro. Arzak, que será o coadjuvante de Adrià neste jantar, não está acostumado a servir grandes recepções. ?Se houvessem pensado em mim para o banquete de bodas do príncipe, sentir-me-ia deslocado. A minha é uma cozinha minimalista, de muito trabalhinho, feita no momento.? Por isso, concorda com a escolha do Jockey para o almoço, para o qual até ele tem sugestão. ?São meus amigos e é uma grande casa, acostumada a dar banquetes desse calibre. Este casamento será uma vitrine gastronômica mundial e os produtos espanhóis são essenciais. Sem dúvida, a estrela será um presunto ibérico e os vinhos do país.? O chef tem certeza disso, pois considera que ?pela comida se sabe que estamos num país diferente?. Por isso a importância do menu no casamento, porque ?a forma de comer é parte da cultura dos povos?.

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