REUTERS|Benoit Tessier
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Todo cuidado é pouco durante a Olimpíada, afirma Berzoini

Ministro-chefe da Secretaria diz que,apesar de o País não ser alvo do terrorismo, não há limites na preocupação

Tânia Monteiro, BRASÍLIA, Júlia Lindner, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2015 | 21h56

O temor de novos atentados do Estado Islâmico no mundo e a preocupação de o Brasil se tornar alvo durante os Jogos Olímpicos, em meados do ano que vem, levou o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Wilson Trezza, a afirmar nesta segunda-feira que o governo “trabalha em busca do erro zero”, mas “não há País no mundo 100% preparado” para enfrentar o terrorismo.

Trezza falou durante Seminário Internacional de Enfrentamento ao Terrorismo no Brasil, aberto pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini. Em sua fala, Berzoini disse que “não há limites para nossa preocupação (com ataques ao País) e para se tomar todas as providências”. Para ele, em se tratando de prevenção ao terrorismo, “toda preparação é pouca e todo cuidado é pouco”.

Os discursos de Berzoini e Trezza serviram para dar uma resposta a alguns segmentos da comunidade internacional que criticaram as declarações da presidente Dilma Rousseff, na Turquia, de que não havia “uma preocupação dos outros líderes em relação ao terrorismo no Brasil”. Os dois fizeram questão de destacar que o trabalho de cooperação e troca de informações entre os países é fundamental para o sucesso no combate ao terrorismo e o Brasil se preocupa, sim, com isso.

Em sua fala, o diretor-geral da Abin afirmou que “não há temor”, de atentados terroristas no Brasil durante os Jogos Olímpicos, mas há “um trabalho preventivo”. Após citar que a agência faz monitoramento no que chamou de “alvos” do terrorismo, seja em fronteiras ou entre refugiados, Trezza assegurou que “não há indício de célula do Estado Islâmico ou qualquer outro grupo de terror no País”.

Depois de listar os atentados terroristas dos últimos anos, Trezza reconheceu que “estamos em uma escala terrorista mundial”. De acordo com o diretor da agência, “neste momento, quase que a força total de trabalho da Abin está voltada para Olimpíada”, mas insistiu que é “fundamental trabalhamos com cooperação internacional”. Ele informou que, dos 206 países que estarão presentes aos jogos, pelo menos a metade terá seu pessoal atuando no Brasil no período das competições. Segundo Trezza, dez países são considerados alvos de alto risco: Canadá, EUA, Egito, França, Grã-Bretanha, Irã, Iraque, Israel, Rússia e Síria. O Brasil está entre os de menor risco, mas a presença destas delegações no País, elevam a atenção.

Em relação ao cuidado com a entrada de estrangeiros no Brasil, principalmente refugiados, o diretor-geral da Abin disse que há um sistema de monitoramento, mas ressaltou que a pessoa responsável pelo ato de terror não precisa ser estrangeiro e pode estar aqui no País. Trezza explicou ainda que, nas “avaliações de risco o terrorismo não é a principal ameaça” à Olimpíada. Na sua opinião, “crime comum é uma grande preocupação” e insistiu que os trabalhos de inteligência ajudarão no combate a esses crimes.

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