Todo mundo ama o Brasil, diz a "Newsweek"

"Todo mundo ama o Brasil", diz o título de uma reportagem da revista americana Newsweek que chega nesta semana às bancas. A reportagem é capa da versão latino-americana da revista, que diz que "um gosto pela cultura brasileira está varrendo o mundo" e estampa a manchete Samba Chic. A revista começa sua exaltação ao país contando a história de um brasileiro perdido em Paris, sem falar uma palavra de francês, que vê todas as portas se abrirem à simples menção de Brésil.Segundo a Newsweek, até pouco tempo atrás, a palavra Brasil trazia à cabeça imagens de crianças de rua, dívida externa ou, na melhor das hipóteses, de uma mulher com um chapéu tutti-frutti na cabeça. Agora, de acordo com a revista, a cultura brasileira está se espalhando por todos os cantos do mundo. É caipirinha no restaurante Sushi Samba em Manhattan, Elza Soares trazendo abaixo o Jazz Café de Londres, aulas de capoeira em Toronto ou modelos bronzeadas dominando as passarelas de Milão à província do Cantão, na China.Contágio - É hora de esquecer Gisele e Ronaldo, segundo a revista. O contágio brasileiro, diz a Newsweek, vai além da moda e do futebol. A revista diz que os brasileiros expatriados ajudam a divulgar o nome do país. Ela lembra a grande comunidade verde e amarela em Nova York, Boston, e os cerca de 280 mil brasileiros descendentes de japoneses que fizeram o caminho contrário de seus ancestrais e se estabeleceram no Japão.A reportagem prossegue lembrando a temporada brasileira na loja de departamentos Selfridges, de Londres, em maio deste ano, dizendo que o nome Brasil ajuda a empurrar os negócios para a frente. E não esquece de mencionar que as mulheres européias e americanas que gastaram US$ 13 milhões (quase R$ 40 milhões) em biquínis brasileiros no ano passado costumam recorrer à depilação conhecida como Brazilian, como registrado no dicionário Oxford.A obsessão pelo Brasil está se espalhando pelo mundo, diz a Newsweek, mas, às vezes, o próprio país não valoriza o que é seu. E cita os casos das cantoras Bebel Gilberto e Luciana Souza, indicada duas vezes ao prêmio Grammy, como exemplos de brasileiros que fazem sucesso no exterior antes de serem reconhecidos em casa. Para ilustrar, a revista relembra uma frase de Tom Jobim, que disse uma vez que, no Brasil, "sucesso é ofensa pessoal"."Camponês Lula" - De uma maneira oblíqua, segundo a publicação, boa parte do crédito pelo sucesso atual do Brasil vai para Luiz Inácio Lula da Silva, "o carismático camponês que se tornou presidente e que luta contra o protecionismo dos países ricos levando fazendeiros dos Estados Unidos e da Europa aos tribunais internacionais de comércio".A revista conclui a reportagem dizendo que outros países já estiveram na moda em outros momentos, já que Europa e Estados Unidos costumam importar "sabores exóticos" para afastar o tédio. Segundo a Newsweek, um dia Ronaldo vai pendurar as chuteiras e Gisele vai descer do salto, passando a coroa do mundo da moda para alguma jovem da Croácia ou do Quênia. "Ninguém está dizendo que a invasão brasileira veio para ficar. Mas vai ser divertido enquanto durar."

Agencia Estado,

30 de julho de 2004 | 18h25

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