Brittainy Newman / The New York Times
Brittainy Newman / The New York Times

Todos os acordos serão cancelados se Israel anexar parte da Cisjordânia, diz líder palestino

Na ONU, Mahmoud Abbas também renovou a promessa de realizar novas eleições parlamentares palestinas

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 08h28

NAÇÕES UNIDAS - O líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou na quinta-feira, 26, nas Nações Unidas, que cancelará todos os acordos assinados com Israel, se o plano anunciado pelo primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, de anexar uma parte de Cisjordânia se concretizar.

Netanyahu, que tenta formar um novo governo, prometeu antes das últimas eleições impor a soberania israelense sobre duas zonas que representam cerca de um terço da Cisjordânia.

A promessa foi amplamente condenada, inclusive pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o qual alertou que violaria a legislação internacional.

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"Nossa resposta, se qualquer governo israelense prosseguir com este plano, é que todos os acordos assinados com o governo da ocupação e qualquer obrigação subjacente sejam cancelados", disse Abbas.

"E é nosso direito defender nossos direitos por todos os meios possíveis, apesar das consequências, enquanto continuamos comprometidos com a legislação internacional e com o combate ao terrorismo", alertou ele.

Alerta similar nos anos 1990

Abbas fez uma advertência similar em julho, mas não chegou a cumpri-la. No início dos anos 1990, Israel e os palestinos - então liderados por Yasser Arafat - assinaram uma série de acordos de paz sob a chancela da ONU.

Os acordos deveriam durar um período de transição de cinco anos, mas um pacto de longo prazo foi frágil e uma Segunda Intifada, ou onda de violência, eclodiu em 2000.

Novas eleições 

Abbas também renovou a promessa de realizar novas eleições parlamentares palestinas, que ocorreram pela última vez em 2006.

O pleito, que foi surpreendentemente vencido pelo movimento islâmico do Hamas, levou a uma divisão dramática, com o grupo assumindo o controle de Gaza em 2007.

"Ao retornar à terra natal, convocarei eleições locais regulares na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em Jerusalém Oriental, e quem se opuser será responsável perante Deus e a comunidade internacional", disse Abbas, provavelmente se referindo ao Hamas.

O líder da Autoridade Palestina fez promessas semelhantes antes, mais recentemente em dezembro de 2018, quando disse que realizaria eleições parlamentares em seis meses. / AFP

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