Toledo enfrenta manifestações hostis no Peru

Menos de dois meses depois de assumir o poder, o presidente Alejandro Toledo enfrenta uma onda de greves e manifestações de rua em diferentes regiões do Peru, promovidas por cidadãos que exigem o cumprimento de suas promessas eleitorais.Segundo autoridades, o incidente maior ocorreu hoje em Cusco, 570 km a sudeste de Lima, quando cerca de 300 moradores de Quillabamba ocuparam o aeroporto e durante duas horas impediram a decolagem de quatro aviões de passageiros com destino à capital, Lima. Os manifestantes bloquearam ainda as ruas que conduzem ao aeroporto, com pedras e outros objetos. Luis Rodríguez, um empresário de Quillabamba, disse que os moradores iniciaram uma greve há uma semana cobrando de Toledo sua promessa de asfaltar a estrada entre Ollantaytambo e Quillabamba, além do restabelecimento do serviço ferroviário entre as duas localidades.Eles pedem também a instalação de um serviço de água potável, a criação de uma universidade autônoma em Quillabamba e a presença do ministro dos Transportes, da Agricultura e da Presidência, além de um legislador em Quillabamba para discutir essas exigências.Desde domingo, cerca de mil moradores do departamento andino de Puno, cerca de 860 km a sudeste da capital, na fronteira com a Bolívia, estão concentrados em Lima pedindo um encontro com Toledo. Eles querem que a estrada que ligará o Brasil à costa do Pacífico passe por Puno.Toledo não recebeu ontem os manifestantes pois outra delegação de moradores de Puno, junto com representantes do departamento de Cusco e do governo, subscreveram na sexta-feira um acordo pelo qual foi nomeada uma comissão tripartite. A comissão determinará as condições para a construção da estrada que será denominada interoceânica, pois permitirá a ligação da costa do Atlântico com a do Pacífico. Enquanto esperavam pela reunião com Toledo, os manifestantes gritavam: "Toledo, mentiroso...cumpre tuas promessas." Na semana passada, moradores de bairros pobres de Lima também pediram novos postos de emprego diante da casa do governo. O ministro da Presidência, Carlos Bruce, disse que o governo não cederá diante de medidas de pressão. Toledo, que assumiu o poder em 28 de julho, disse recentemente que era mais fácil lutar contra a ditadura do destituído presidente Alberto Fujimori do que governar. Por sua vez, o ministro de Economia, Pedro Pablo Kuczynski, antes de assumir o cargo, advertiu que não será fácil resolver imediatamente os problemas de um país em recessão desde 1998, com uma população economicamente ativa de 10,3 milhões, dos quais 49% estão em empregos regulares, 43% estão subempregados e 8% desempregados.

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