Toledo lidera intenções de votos no Peru

A última pesquisa de intenção de voto antes da eleição peruana de domingo mostra um grande crescimento da candidatura do ex-presidente Alan García, que se manteve no terceiro lugar, mas a apenas 0,7 ponto porcentual da segunda colocada, a candidata da direitista União Nacional, Lourdes Flores. A sondagem, realizada pelo Grupo de Opinião Pública da Universidade de Lima, mostra o candidato do partido Peru Possível, Alejandro Toledo, tranqüilo na primeira posição, com 33,4% das intenções de voto. Lourdes tem 19,6% e García, 18,9%."O que os números tanto desta quanto de outras pesquisas indicam é que haverá um segundo turno", declarou à Agência Estado o editor de Política do jornal El Comercio, de Lima, Juan Paredes Castro. "A grande dúvida é sobre quem passa para esse segundo turno junto com Toledo: Lourdes ou García."O ex-presidente, que governou o país de 1985 a 1990 - época em que o Peru mergulhou no inferno da hiperinflação, dos sangrentos ataques da guerrilha maoísta Sendero Luminoso e da ameaça constante dos grupos de narcotráfico que produziam cocaína no Vale do Rio Huallaga -, só retornou ao território peruano no início deste ano, depois da destituição do presidente que o sucedeu, Alberto Fujimori."A verdade é que boa parte da rejeição de Alan García pode ser explicada pelo esforço do regime fujimorista em transformá-lo na personificação de todas as mazelas do país, que se tornaram mais agudas durante sua administração", prossegue Paredes. "O antagonismo a Fujimori, agora que o regime fujimorista caiu em desgraça, tranformou-se no grande trunfo de García.""Também é preciso lembrar que o Peru tem uma das maiores taxas de desemprego do mundo e, na época de García, o Estado era o grande empregador do país", acrescenta Paredes. A taxa oficial de desemprego no Peru, de 1998, é de 44%. Estima-se que mais de 60% dos peruanos não tenham hoje emprego formal. A forte economia informal vem evitando o colapso total das finanças peruanas há vários anos."Talvez por causa do temperamento um tanto intempestivo de Toledo e pelo fato de Lourdes ser mulher, muitos empresários peruanos têm preferência por García", declarou à Agência Estado um analista estrangeiro que pediu para não ter seu nome divulgado. "Apesar do passado estatizante de García, ele mantinha políticas de reserva de mercado para as empresas do país."

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