Tomada de Kandahar parece iminente

Kandahar, o quartel-general da milícia fundamentalista Taleban e segunda mais importante cidade do Afeganistão pode estar prestes a cair em mãos da coalizão Aliança do Norte, que chegou a anunciar nesta quarta-feira a entrada de suas forças na cidade, com o apoio de líderes tribais pashtuns. A situação era caótica. Há relatos de deserções em massa nas fileiras do Taleban, e de tropas da aliança conquistando as áreas periféricas de Kandahar."Há um completo caos. É uma confusão total. O Taleban perdeu controle da situação", garantiu o chanceler da coalizão, Abdullah Abdullah, endossando as palavras do embaixador do grupo no Tadjiquistão, Said Ibrohim Hikmat.A informação não pôde ser confirmada por fonte independente e foi negada pela milícia.O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) não reconheceu a tomada da cidade e destacou que a situação ainda é muito fluida, embora tenha admitido que grupos anti-Taleban no sul do Afeganisitão estão se rebelando e que a aliança ganhou terreno no sul, no oeste e nos arredores de Jalalabad, no nordeste. O Pentágono informou que há combates ferozes na cidade.Um porta-voz do Taleban desmentiu a queda de Kandahar, em entrevista à emissora árabe por satélite Al-Jazeera. "Não é verdade. São informações falsas. Continuamos lá e a situação é estável", disse Mohammad Tayeb Agha, que se identificou como porta-voz do líder espiritual da milícia, mulá Mohamed Omar. No dia anterior, a agência de notícias afegã AIP reportara que Omar dissera estar em Kandahar.Segundo a emissora de TV americana NBC, um grupo armado de pashtuns se dirigia a Kandahar para lutar contra o Taleban. Refugiados recém-chegados ao Paquistão disseram que milhares de combatentes tinham tomado o aeroporto da cidade. Essa informação não foi confirmada hoje. Um ex-governador de Kandahar, Gul Agha Sherzai, deixou o Paquistão na terça-feira com mil homens, dizendo que seu objetivo era persuadir o Taleban a render-se.Também foi desmentido o anúncio da aliança de que tomara Jalalabad. Nessa cidade, os homens mais velhos de comunidades tribais pashtuns fizeram um acordo com os dirigentes locais talebans para que abandonassem a cidade com suas armas, e assumiram o controle. Um dos líderes locais, Maulvi Yunus Khalis, tomou o poder e advertiu para que "nenhum líder da aliança nem de outro grupo tente entrar", segundo a agência afegã AIP, vinculada ao Taleban e com sede em Islamabad.Os pashtuns foramam mais de 40% da população afegã e não aceitam o poder da coalizão opositora, integrada basicamente pelas etnias usbeque, tadjique e hazara, concentradas no norte e em áreas centrais do país. Na região de Jalalabad há um complexo de campos de treinamento da organização terrorista Al-Qaeda, de Osama bin Laden.No Pentágono, o contra-almirante John Stufflebeem, sub-comandante de Operações do Estado-Maior conjunto, informou que os bombardeios de hoje se concentraram nas redes de túneis e cavernas perto de Kandahar, onde se suspeita que Bin Laden e os líderes talebans estejam escondidos. Cerca de 80 aviões tomaram parte da operação.Cabul está sob a autoridade de um conselho militar e de segurança dirigido pelo general Mohammad Quassin Fahim, sucessor do comandante usbeque Ahmed Shah Massood no comando das forças da Aliança do Norte. Massood foi assassinado em setembro.Hoje, a aliança nomeou o ex-presidente Burhanuddin Rabbani, deposto em 1996 pelo Taleban, líder de um governo provisório de transição. Ainda nesta quarta-feira, a França anunciou que participará da operação de segurança no norte do Afeganistão, para permitir a ajuda humanitária.Leia o especial

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