BERTRAND GUAY / AFP
BERTRAND GUAY / AFP

'Tomar café do lado de fora, isso é Paris', diz parisiense após dois meses de isolamento

Estabelecimentos retomam atividades nesta terça-feira, mas só podem servir do lado de fora

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 03h00

"Estou emocionada!", diz Martine Depagniat enquanto saboreia um expresso na parte externa de uma cafeteria em Paris. Depois de mais de dois meses de fechamento devido à pandemia do novo coronavírus, os parisienses puderam voltar nesta terça-feira, 2, aos seus amados cafés e restaurantes, fundamentais para a vida social na França.

"Tomar um café do lado de fora, isso é Paris!", resume com um sorriso essa mulher que acordou cedo para tomar um café antes de ir trabalhar. "Eu realmente senti falta do sabor de um verdadeiro café expresso", acrescenta ela, sentada na varanda do Café de la Comédie, a dois passos do Museu do Louvre e do Teatro Comédie-Française. 

"Acredito que as pessoas precisavam recuperar alguma normalidade, embora, é claro, ainda haja o medo de que a epidemia retorne", diz ela cautelosamente.

Todos os cafés, bares e restaurantes do país estavam fechados desde 17 de março, quando o confinamento geral foi decretado pelo governo para conter o surto da covid-19, um duro golpe para a economia. 

Mas, graças a uma queda no número de mortes no país, que chega a quase 29 mil, o governo autorizou a reabertura de todos os estabelecimentos na França, sob estritas regras de precaução.

Área externa

Em Paris, onde o vírus continua a circular mais ativamente do que no resto do país, os estabelecimentos só podem servir nas áreas externas.

Perto do Canal Saint-Martin, Charlotte desfruta de um café na varanda da sua cafeteria favorita acompanhada por um amigo. "Nós nos levantamos cedo apenas para isso. Estou amando muito, é o café do nosso bairro", diz ela animadamente.

Mais ao sul, na Butte aux Cailles, um bairro colorido com ruas de paralelepípedos, Barthélémy Bru termina de instalar as mesas e cadeiras na área externa de seu restaurante "Les Tanneurs de la Butte", deixando no mínimo um metro entre as mesas, conforme exigido pelas autoridades para reduzir os riscos de contágio.

"É o grande dia!", afirma este jovem de 30 anos, um tanto nervoso. "Esperamos que os clientes voltem. Com este sol, acho que eles virão", acrescenta, enquanto os termômetros ultrapassam os 25ºC na capital francesa. 

Ele admite ter passado alguns meses "difíceis" com o fechamento de seu estabelecimento. "Não sabemos do que o futuro é feito, mas acho que será um ano difícil", estima. 

A alguns metros, Petro Jaupi, dono do restaurante "Auberge de la Butte", desinfeta as mesas antes de receber os primeiros clientes. "Esperamos que o clima continue bom, porque tudo o que temos são as áreas externas", explica.

"Também esperamos que os clientes tenham confiança suficiente para voltar", acrescenta, com uma máscara descartável cobrindo a boca e o nariz. 

Na avenida Champs-Elysées, que em tempos normais atrai milhares de turistas todos os dias, apenas alguns estabelecimentos reabriram nesta terça-feira. Para muitos não é rentável abrir apenas as áreas externas, ainda mais sem turistas. / AFP

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