REUTERS|Mike Theiler|Arquivo
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Tony Blair pede desculpas por guerra no Iraque e ascensão do EI

Em entrevista à emissora americana CNN, ex-premiê britânico disse que não prever as consequências da queda de Saddam Hussein foi erro de planejamento, mas defendeu ação contra o ex-ditador

O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2015 | 14h06

LONDRES - O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair voltou a pedir desculpas pelas justificativas usadas para deflagrar a guerra no Iraque, em 2003, e admitiu certa responsabilidade na ascensão do Estado Islâmico (EI) - de acordo com trechos de sua entrevista dada à CNN e divulgados pela emissora.

"Posso dizer que peço desculpas pelo fato de que as informações que os serviços secretos deram eram falsas", declarou Blair, segundo o site da emissora americana. "Mas parece difícil me desculpar por ter derrubado Saddam (Hussein). Ainda hoje, em 2015, me parece que é melhor que ele não esteja mais aqui", comentou o político trabalhista, que foi primeiro-ministro entre 1997 e 2007.

"Também me desculpo por alguns erros no planejamento e nossos erros em nossa compreensão do que aconteceria depois da queda do regime", acrescentou, reconhecendo "elementos de verdade" na ideia de que a invasão do Iraque em 2003 é a principal causa da ascensão do Estado Islâmico.

Críticos defendem que a decisão dos EUA de desmantelar o Exército de Saddam Hussein após a invasão criou um enorme vácuo de segurança explorado pela Al-Qaeda, que foi eventualmente substituída pelo Estado Islâmico.

"É claro que não é possível dizer que aqueles que derrubaram Saddam em 2003 não têm qualquer responsabilidade na situação em 2015", admitiu, lembrando também do impacto da chamada "Primavera Árabe" na região e que o EI começou sua expansão pela Síria, e não pelo Iraque.

Embora tenha admitido os erros na invasão do Iraque, o ex-primeiro-ministro britânico destacou que outras atuações internacionais posteriores também não deram bons resultados.

"Tentamos a intervenção e pôr tropas no Iraque, intervenção sem tropas na Líbia e não-intervenção, mas com chamado a uma mudança de regime na Síria. Não tenho certeza se, ainda que nossa política não tenha funcionado, as políticas seguintes teriam funcionado melhor", concluiu.

A Grã-Bretanha participou da invasão e da guerra no Iraque, iniciada em 2003, ao lado dos Estados Unidos. Essa decisão foi bastante impopular em casa, e muitos acusam o ex-premiê de ter enganado a população sobre a presença - jamais comprovada - de armas de destruição em massa no Iraque. Um inquérito público de seis anos sobre o conflito ainda não teve suas conclusões reveladas. / AFP, EFE e REUTERS

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