Toque de recolher não impede morte de 50 pessoas no Iraque

Cerca de 50 pessoas foram mortas neste sábado no Iraque, apesar do aumento da segurança para conter a onda de violência sectária provocada pelo atentado de quarta-feira contra a Mesquita Dourada, em Samarra, o quarto local mais sagrado do Iraque para os muçulmanos xiitas. O ministro da Defesa do Iraque, Saadum al-Dulaimi, alertou hoje para uma "guerra civil" que "nunca terminará" e disse que está pronto para pôr os tanques nas ruas. A mais grave crise desde a invasão americana ao Iraque ameaça os planos de Washington de retirar seus 136 mil homens do país.O ministro do Interior, Bayan Jabur, anunciou a ampliação das estritas medidas de segurança e a proibição da circulação de automóveis pelas ruas de Bagdá até as 6 horas de segunda-feira. Em um discurso transmitido pela TV, Jabur disse que os automóveis não poderão entrar nem sair da capital e qualquer pessoa portando arma será detida. O toque de recolher foi imposto inicialmente na noite de quinta-feira depois de dois dias de derramamento de sangue entre os muçulmanos xiitas e sunitas e, desde então, prorrogado.O ministro da Defesa pediu calma à população e disse que eram exageradas as informações sobre o número de mortos. Segundo ele, 119 pessoas morreram na violência sectária após a destruição da Mesquita Dourada. Já a polícia de Bagdá disse que mais de 200 pessoas foram mortas.Neste sábado, um carro-bomba acionado por controle remoto matou cinco pessoas e feriu mais de 30 na cidade sagrada xiita de Kerbala, 80 quilômetros ao sul de Bagdá. Um suspeito preso após a explosão disse à polícia que o alvo era a mesquita sagrada do imã Hussein, neto do profeta Maomé. Mas o suspeito não conseguiu passar pelos bloqueios erguidos no início do mês para o festival religioso da Ashura (que lembra a morte do imã Hussein).O homem estacionou o veículo em uma rua no norte da cidade, chamando a atenção de moradores. Quando um policial abriu o porta-malas para inspecionar o veículo, a carga explodiu. O suspeito foi preso ainda com o controle remoto nas mãos.Em Buhriz, um reduto da insurgência sunita, homens armados invadiram a casa de uma família sunita e mataram 13 pessoas. As vítimas - três gerações da mesma família - eram todos homens com idades entre 20 e 70 anos, disse a polícia.Seguidores do clérigo radical xiita Muqtada al-Sadr disseram que seus milicianos estão preparados para defender o povo da Província de Diyala - em um sinal de que uma possível reação xiita deve ocorrer. Muitos xiitas temem que as forças de segurança iraquianas sejam incapazes de protegê-los.A polícia iraquiana encontrou diversos corpos - muitos amarrados e com vários tiros - em Bagdá e em outras áreas do país desde o atentado de quarta-feira contra a Mesquita Dourada.Ainda neste sábado, o chefe de polícia, major Falah al-Mohammedawi, disse que os corpos de 14 policiais de elite foram encontrados em veículos incendiados perto de uma mesquita sunita no sudoeste de Bagdá. Ele disse que as circunstâncias das mortes não estavam claras.Um tiroteio também ocorreu durante o funeral da jornalista da TV Al-Arabiya Atwar Bahjat. Ela foi morta na quarta-feira com dois colegas de equipe enquanto cobria o atentando contra a mesquita em Samarra. Quando as pessoas voltavam do cemitério, um carro-bomba explodiu atingindo a patrulha militar iraquiana que escoltava o funeral. Pelo menos dois soldados e um policial morreram. Seis pessoas, incluindo civis, ficaram feridas.Os episódios de violência também resultaram na morte de pelo menos um soldado americano, admitiu o comando militar dos EUA em Bagdá. Na Cidade Sadr, um bairro xiita da periferia de Bagdá, três pessoas, entre elas uma criança, foram mortas e sete ficaram feridas quando dois foguetes atingiram várias casas.Líderes políticos e religiosos estão ansiosos para conter a violência lançada por extremistas sunitas e xiitas, que congelou os esforços para formar um novo governo iraquiano - que os EUA consideram essencial para reduzir o número de seus soldados no Iraque ainda este ano.O principal bloco sunita disse que "não hesitará em reconsiderar" sua decisão de abandonar as conversações sobre a formação de uma coalizão de governo se o primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari, um xiita, descumprir suas promessas para acabar com a crise.

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