Tóquio defende novamente sanções contra Pyongyang na ONU

O Japão reafirmou nesta terça-feira a necessidade de adoção, "o quanto antes", de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) que condene e sancione a Coréia do Norte devido aos testes de mísseis que o regime comunista realizou na semana passada.Após enfrentar a oposição da China na segunda-feira no Conselho de Segurança, o governo japonês voltou a defender a condenação internacional da Coréia do Norte nesta terça. Em sua opinião, a reunião do G8 em São Petersburgo será o momento propício para colocar o ditador Kim Jong-il contra a parede.O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, ressaltou, antes de partir em viagem oficial ao Oriente Médio, que Tóquio ainda acredita que serão impostas sanções contra a Coréia do Norte devido ao lançamento de sete mísseis na quarta-feira passada, ação que deixou em alerta o leste da Ásia."A votação (do projeto de resolução apresentado pelo Japão ao Conselho de Segurança da ONU) foi adiada devido à persistência dos esforços da China a respeito da Coréia do Norte, mas não há mudança em nossa política básica de buscar uma votação o mais rápido possível", disse Koizumi a vários deputados governamentais.O ministro de Exteriores japonês, Taro Aso, afirmou que "se o assunto não for resolvido pelo G8, será um aborrecimento para a nação anfitriã", em referência à Rússia.Devido à pressão da China e da Rússia, o Japão se viu obrigado a concordar com um adiamento da votação de sua proposta de resolução, na qual condena a Coréia do Norte e são pedidas sanções contra o regime comunista.O texto, que conta com o apoio dos EUA, da Grã-Bretanha e da França, exige que a Coréia do Norte suspenda imediatamente o desenvolvimento, o envio e o lançamento de mísseis, e intima o regime norte-coreano a mostrar novamente seu compromisso com o acordo assinado em 1999 contra os testes de armas como estas.A resolução proíbe a transferência a Pyongyang de recursos financeiros, materiais e tecnologia que possam ser usados para a fabricação de mísseis e armas de destruição em massa.A delegação de Pequim na ONU não gostou do documento e ameaçou vetá-lo. A China tem poder para isso, pois é membro permanente do Conselho de Segurança. O país sugeriu ao Japão que modificasse a minuta.A China pediu ao Japão que retirasse o pedido de sanções contra a Coréia do Norte. Em sua opinião, tal atitude acabaria com as conversas multilaterais sobre o programa nuclear norte-coreano, estagnadas desde novembro.Os representantes chineses nas Nações Unidas também disseram aos delegados japoneses que as diferenças internacionais sobre a questão das sanções poderia levar à divisão do Conselho de Segurança e, caso sejam adotadas, a um isolamento maior da Coréia do Norte.Para compensar a proposta de resolução japonesa, a China divulgou uma declaração presidencial alternativa que não é vinculativa e não inclui sanção alguma ao regime norte-coreano, embora contenha a idéia de condenação à Coréia do Norte devido ao lançamento dos mísseis.Os países que respaldaram a resolução do Japão convenceram Tóquio a não apresentar a votação na segunda-feira para que a China tivesse mais tempo para persuadir a Coréia do Norte sobre a inutilidade do lançamento de mísseis e de seu boicote ao diálogo nuclear.As conversas estão estagnadas desde novembro, quando, pela última vez, reuniram-se em Pequim as duas Coréias, China, Rússia, Japão e Estados Unidos para discutir o fim do programa nuclear de Pyongyang.A Coréia do Norte se nega a retornar às conversas enquanto os EUA não retirarem as sanções que afetam várias instituições financeiras relacionadas às autoridades de Pyongyang, acusadas de terem envolvimento com a lavagem de dinheiro.O vice-primeiro-ministro chinês, Hui Liangyu, e o vice-ministro de Exteriores, Wu Dawei - principal representante da China nos diálogos multilaterais -, viajaram na segunda-feira a Pyongyang.Por outro lado, chegou nesta terça a Pequim o vice-presidente da Assembléia Popular Suprema da Coréia do Norte, Yang Hyong-sop, para participar da comemoração do 45º aniversário da assinatura do Tratado de Amizade entre os dois países e, de quebra, escutar as repreensões da China ao desafio militar norte-coreano.

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