Tóquio quer explicações por morte de jornalista em Mianmá

Kenji Nagai, da agência APF News, foi atingido por um tiro enquanto cobria os conflitos em Rangun

Efe,

28 de setembro de 2007 | 03h36

O governo japonês anunciou na quinta à noite que deve apresentar um protesto formal às autoridades de Mianmá pela morte do repórter japonês Kenji Nagai, enquanto cobria os protestos no país. Tóquio evitou, porém, falar de sanções contra a Junta Militar.   Veja também: Jornalista japonês é morto por policiais Entenda a crise e o protesto dos monges   Feridos temem ser detidos em hospitais de Mianmá, diz ONG Austrália adota sanções financeiras  Mulher e filha de chefe militar deixam Mianmá Hill defende conversa entre China e EUA Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges   O repórter japonês Kenji Nagai, que morreu na quinta-feira, estava acostumado a cobrir conflitos e tinha trabalhado nas guerras do Iraque e Afeganistão.   O jornalista, de 50 anos, trabalhava para a agência japonesa APF News. Na quinta-feira, com uma pequena câmera, ele gravava os protestos contra a Junta Militar birmanesa em Rangun quando foi atingido pelos tiros dos soldados que dispersavam os manifestantes, informou a agência Kyodo nesta sexta-feira, 28.   Em entrevista coletiva, o porta-voz do Executivo japonês, Nobutaka Machimura, disse que exigirá "um esclarecimento da verdade" e que espera que as autoridades birmanesas tomem as "medidas apropriadas para garantir a segurança dos cidadãos japoneses" no país.   "Vamos considerar o que fazer. Mas por enquanto não estamos pensando em suspender imediatamente nossa ajuda ao país", disse Machimura. Kenji Nagai pediu à direção da agência para passar uma semana em Mianmá para cobrir a revolta popular.   Toru Yamaji, o presidente da AFP News, afirmou em entrevista coletiva em Tóquio que Kenji Nagai estava em Mianmá para "informar sobre a evolução do processo de democratização da nação". Ele lembrou o jornalista como alguém que costumava dizer que "alguém tem que ir cobrir as áreas aonde ninguém quer ir".   O fotógrafo japonês Aika Kano, que trabalhou no Iraque com Nagai, afirmou que ele era "uma pessoa muito amável e com um forte sentido da justiça", além de especialmente "sensível ao tema dos direitos humanos".   A mãe do repórter, Michiko Nagai, de 75 anos, disse que não sabia que o filho estava em Mianmá. "A última vez que esteve em casa foi há três anos. Quando descobri que ele tinha ido ao Afeganistão, pedi que não fosse mais a nenhum lugar perigoso", contou.   Nagai estudou inglês durante um ano nos Estados Unidos após terminar seus estudos no Japão. Começou então a trabalhar como jornalista "free lance" e a viajar por vários países em guerra.   O Clube de Correspondentes Estrangeiros do Japão condenou nesta sexta a morte de Kenji Nagai e "o uso da violência por parte das forças de segurança de Mianmá".

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