Michelle Lepianka Carter/Tuscaloosa
Michelle Lepianka Carter/Tuscaloosa

Tornados arrasam sul dos EUA e deixam 280 mortos e 941 feridos

Cerca de 100 ciclones - a maioria com velocidades entre 80 e 120 km/h - passam pelos Estados do Alabama, Tennessee, Mississippi, Georgia, Virginia e Kentucky; Serviço Nacional de Meteorologia prevê mais tempestades no país

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

Seis Estados americanos amanheceram ontem devastados por cerca de cem tornados, que provocaram a morte de ao menos 280 pessoas e ferimentos em outras 941, segundo dados divulgados até as 19 horas. Somente no Alabama, as vítimas totalizaram 194. Washington declarou estado de emergência em toda a região.

Órgãos federais e estaduais enviaram equipes em helicópteros e aviões para avaliar os danos. Cerca de 2 mil soldados da Guarda Nacional e centenas de policiais e bombeiros seguiram para a região para auxiliar as vítimas e prevenir novas tragédias. O Serviço Nacional de Meteorologia previu ontem a formação de mais tornados nos próximos dias.

Atento para não repetir sua visita tardia às vítimas do vazamento de petróleo no Golfo do México, no ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que visitará o Alabama hoje.

"Nós não podemos controlar quando nem onde uma tempestade terrível vai cair, mas nós podemos controlar a reação a seus impactos", declarou Obama, candidato democrata à reeleição em 2012. "Vamos fazer o que for necessário para ajudar as pessoas a reconstruir suas vidas. Faremos o possível", prometeu.

A maioria dos tornados passou a uma velocidade de 80 a 120km/h pelo Alabama e seguiu para os Estados de Tennessee, Mississippi, Georgia, Virginia e Kentucky.

A situação no Alabama, o oitavo Estado mais pobre dos EUA, foi a mais grave. A maioria das casas, construídas com madeira justamente para evitar danos provocados pelos habituais tornados que ocorrem nesta época do ano, foi destruída. Em toda a região sul dos EUA, os residentes costumam manter um porão para se proteger.

À imprensa, o governador do Alabama, Robert Bentley, afirmou que poucas pessoas são capazes de deixar suas casas e procurar proteção em outros lugares quando alertas sobre a passagem de um tornado são emitidos, como ocorreu na quarta-feira. "O povo do Alabama entende a força dos tornados. Mas não há como retirar milhares de pessoas em cinco minutos."

Dezenas de milhares de moradores estão desabrigadas no Estado, e 335 mil residências e estabelecimentos comerciais estão sem eletricidade, segundo a Companhia Alabama de Energia. A empresa advertiu para um desastre maior do que os provocados pelos furacões Ivan (2004) e Katrina (2005) se novos tornados atingirem a região. A passagem do Katrina resultou em 1.836 mortes, dentre as quais 1.577 no Estado da Louisiana.

Mágico de Oz. A corretora de imóveis Sharon Blue, de 57 anos, abrigou-se com seus dois cachorros na lavanderia, único cômodo que permaneceu em pé de sua casa de tijolos em Birmingham, Alabama, segundo o jornal The New York Times. Rezando, ela viu o telhado, sua coleção de Bíblias e a geladeira voarem com os tornados.

"Eu pensei que a casa toda sairia voando. Foi como a Dorothy em "O Mágico de Oz". Eu só segurava meus cachorros e rezava", relatou. Brian Wilhite, clínico geral do Hospital Druid City, em Tuscaloosa, cidade com 180 mil habitantes, afirmou à rede de TV CNN ter-se lembrado da Guerra do Vietnã. "Um médico viu duas pessoas morrerem diante dele, sem que pudesse fazer nada", contou. "Parece que caiu uma bomba atômica. Vizinhanças inteiras desapareceram."

O dono de restaurante Gary Lewis também relatou o desaparecimento completo da Rua 15, de Tuscaloosa, onde ficavam as principais redes de fast-food e de comércio. "Essa coisa, essa tarde, foi um monstro."

O bairro de Alberta, na mesma cidade, também "se foi", relatou Fred Jackson ao jornal The Tuscaloosa News. "A terra começou a se mover, as raízes foram arrancadas, tudo estava se movendo. Minha casa foi destruída. Tivemos de sair pela janela. Perdemos tudo", afirmou.

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