Charlie Riedel/AP
Charlie Riedel/AP

Tornados deixam 14 mortos em 3 regiões dos EUA

Onda de tormentas que já matou mais de 500 pessoas nas últimas semanas deixa estragos que somam mais de US$ 6 bilhões

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Três Estados americanos foram atingidos pela onda de tornados que tem devastado a região do Meio-Oeste e Sul dos EUA nas últimas semanas, deixando centenas de mortos - 14 apenas ontem. Cidades foram mais uma vez destruídas e a previsão é de que mais tempestades ocorram nos próximos dias.

Arkansas, Oklahoma e Kansas foram os Estados mais abalados ontem, menos de três dias depois de um gigantesco tornado ter arrasado a cidade de Joplin, no Missouri, com um total de 125 mortos até agora, no mais violento fenômeno natural desta classificação desde 1953.

Desde o início do ano, 504 pessoas morreram em tornados, mais do que o triplo da soma dos últimos três anos. Foram registrados até agora 1.228 tornados, sendo 20 apenas ontem. Estava previsto ainda que os Estados de Mississippi e Ohio fossem os próximos a serem atingidos.

"Há um enorme potencial para mais tornados", disse Walt Zalenski, do Serviço Meteorológico Nacional. Outros meteorologistas também divulgaram previsões alarmantes, deixando algumas cidades dessa região dos EUA em estado de alerta. Os tornados podem ter ventos que ultrapassam os 300 km/h, além de terem envergaduras inéditas para este tipo de fenômeno.

O tornado que atingiu Missouri no domingo foi classificado como EF-5, grau mais elevado na escala de medição. Tornados dessa categoria, raros nos EUA, são tão fortes que podem transformar "uma casa em um míssil" ao remover o imóvel de suas bases de sustentação.

O presidente dos EUA, Barack Obama, deve visitar as áreas atingidas no fim de semana, assim que retornar da Europa.

Até agora, de acordo com estimativas divulgadas por entidades privadas, os estragos causados pelos tornados já somam mais de US$ 6 bilhões - metade desse valor será coberta por companhias de seguro. Centenas de voos foram cancelados por causa do clima nessas regiões.

Mais de 10 mil pessoas precisaram passar a noite no aeroporto de Dallas, no Texas. Muitas cidades continuavam sem energia elétrica ontem, deixando no escuro dezenas de milhares de pessoas.

Um dos problemas é que, além do número elevado de tornados, muitos deles atingiram áreas urbanas, como Joplin. A dimensão dos tornados também aumentou, com o de Missouri, no fim de semana, sendo um dos maiores da história.

As autoridades tentam avisar com antecedência a ocorrência desses fenômenos naturais. Mas, muitas vezes, o alarme apenas é acionado 20 ou 30 minutos antes. Hospitais não possuem tempo para remover seus pacientes. Idosos e crianças enfrentam dificuldades para se deslocar, como ocorreu em Joplin.

As pessoas têm sido aconselhadas a buscar abrigo na hora de dormir, evitando ficar em áreas da casa que possam ser destruídas. Algumas pedras de gelo que vêm com as tempestades causadas pelos tornados chegam a ser maiores do que bolas de golfe e podem ferir gravemente uma pessoa.

PARA ENTENDER

Ar frio vindo do Canadá é causa do fenômeno

A temporada de tornados ocorre todos os anos nos EUA, no "Tornado Alley" - região que abrange 12 Estados. A razão de os tornados serem tão comuns no local é o ar frio que vem do Canadá pelas Montanhas Rochosas e aquece-se ao chegar nas planícies americanas. Por lá, as massas de ar recebem umidade vinda do Golfo do México. O encontro com o ar seco faz com que esse ar úmido seja "puxado" para cima, o que causa tempestades elétricas e tornados. O grau de devastação desta temporada criou a desconfiança de que a mudança climática do planeta tivesse agravado os tornados deste ano, mas meteorologistas contestam a versão.

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