AP Photo/Pavel Golovkin
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Torneio permitiu reuniões e debates sobre minorias

A realização da Copa do Mundo na Rússia permitiu uma nova perspectiva do país pelos próprios russos, segundo a entidade Human Rights Watch. 

Jamil Chade, ENVIADO ESPECIAL / MOSCOU, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2018 | 21h50

MOSCOU - A realização da Copa do Mundo na Rússia permitiu uma nova perspectiva do país pelos próprios russos, segundo Tanya Lokshina, representante da entidade Human Rights Watch. 

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“Por anos, o governo tentou colocar a ideia na cabeça da população de que o mundo estava contra a Rússia. Depois de beber e festejar junto, a população descobriu que esses estrangeiros talvez não sejam tão malvados e o país não está cercado por inimigos”, disse. 

Os organizadores da Copa dizem que a presença de 700 mil estrangeiros mostrou uma nova realidade que aos russos. 

Foram tolerados encontros de grupos pelas ruas, que em dias normais são dispersados diante do risco de ser um ato da oposição, e as autoridades fizeram vistas grossas às bebidas pelas ruas, também proibido em épocas sem jogos.

O esforço do Kremlin em mostrar que não viola direitos humanos permitiu algo impensável: a abertura de espaços “oficiais” para o debate de assuntos relacionados com minorias e LGBT.

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“Nossa esperança é de que esses espaços e avanços sejam mantidos pelos grupos locais”, afirma Piara Powar, diretor executivo da entidade Fare, parceira da Fifa em assuntos relativos à discriminação. 

Após a Rússia ser desclassificada nos penâltis contra a Croácia, o líder da oposição Alexei Navalni colocou nas redes sociais um agradecimento ao time nacional. “Obrigado, garotos. Vocês nos fizeram gritar Rússia juntos”, afirmou. 

Para muitos, os momentos de união acabaram com o apito final. O governo também deixou claro: as regras sobre manifestações não mudarão depois da Copa. 

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