Torre Eiffel é esvaziada após proibição de véu

Momentos depois, estação de metrô de Saint-Michel também foi fechada, aumentando a tensão em Paris

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2010 | 00h00

PARIS

A polícia francesa retirou ontem cerca de 2 mil turistas da Torre Eiffel e do Campo de Marte, parque vizinho ao monumento, após receber uma ameaça de bomba. O incidente ocorreu horas depois de o Parlamento francêsaprovar a proibição do uso da burca e do niqab - os véus integrais trajados por mulheres islâmicas - em lugares públicos em todo o país.

Segundo a polícia, todos se retiraram com calma enquanto a torre era fechada, mas nenhuma bomba foi encontrada. Momentos depois, a estação de trens e de metrô Saint-Michel, no centro de Paris, também foi esvaziada após um alerta de bomba. O local - perto da Notre Dame -ficou uma hora fechado.

"A circulação dos trens foi interrompida entre as estações Paris-Austerlitz e Invalides", confirmou à agência France Presse um porta-voz da RER, empresa responsável pela rede expressa de trens de Paris. "As pessoas foram retiradas a pedido da polícia após um telefonema anônimo. A estação foi reaberta depois de um inspeção dos policiais."

Segundo o jornal Le Monde, não se sabe ao certo a origem das ameaças, embora existam rumores relacionando os alertas à aprovação da proibição da burca. O projeto do governo recebeu uma votação arrasadora: 246 a votos favor e 1 contra.

Secularismo. Apesar da aprovação definitiva, a nova norma ainda será apreciada pelo Conselho de Estado e pelo Conselho Constitucional, que têm um mês para analisar o caso. A partir de sua entrada em vigor, mulheres que andarem nas ruas com a burca - incluindo turistas - serão multadas em ? 150 e poderão ser retidas pela polícia para averiguação de identidade.

Em caso de reincidência, a muçulmana será obrigada a participar de um "estágio de cidadania". Qualquer pessoa que obrigar uma mulher a usar o véu estará sujeito a uma multa de ? 30 mil e a uma sentença de um ano de cadeia.

"Não estamos falando de segurança ou de religião, mas de respeito aos nossos princípios republicanos", disse a ministra da Justiça, Michele Alliot-Marie. "A França, terra do secularismo, garante o respeito a todas as religiões, mas esconder o rosto sob um véu vai contra a ordem social, seja algo forçado ou voluntário."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.